Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 11/01/2021
O livro “Modernidade líquida”, do escrito Zygmunt Bauman, versa como as relações entre os indivíduos têm se tornado espetacularizadas e pouco empáticas. Nesse contexto, a fragilidade desse convívio reverbera até mesmo na “psique” dos seres que a compõem, gerando transtornos que são acentuados pela banalização dos problemas psicológicos, como se eles fossem menos relevantes dos que os de ordem física, e pelo fato de não haver a adoção de estímulos de hábitos próprios para o autocuidado no corpo social.
Primeiramente, há uma cultura latente na sociedade brasileira que supervaloriza a saúde física em detrimento da saúde mental. Em princípio, essa negligência ocorre devido à falta de uma democratização do acesso as informações que cercam esse assunto, o que limita o conhecimento do indivíduo em identificar possíveis sintomas de uma doença, e consequentemente procurar um auxílio médico, a fim de remediar, ou até mesmo, solucionar o problema. Ademais, as desordens de natureza psíquica são constantemente associadas a problemas ínfimos e que são supervalorizados pelo portador. “ Depressão é frescura” ou “Ansiedade é só para quem não tem nada para fazer” são exemplos de frases constantemente repetidas no meio social e que só agravam a condição psicológica da pessoa afetada, visto que, faz parecer que a culpada por sua condição é ela e sua “falta de vontade”, atrasando assim, ainda mais, a procura por um especialista.
Além do mais, o autocuidado é um importante fator para um perfeito equilíbrio da saúde mental e que é constantemente esquecido na contemporaneidade. A sociedade atual é marcada por um excesso de positividade, em que uma pessoa deve mostrar constantemente, principalmente em redes sociais, o quanto ela é querida pelas pessoas que a cercam. Com o objetivo de possuírem essa autoafirmação constante, muitas vezes, o indivíduo se sujeita a diferentes e variadas situações que vão além de seu limite psicológico, em troca de mais “likes” e seguidores. Dessa forma, o seu anímico se sobrecarrega e acaba por ser acometido de diferentes patologias psicológicas, que poderiam ser evitadas com um simples ato de “logout”.
Portanto, urge que o Ministério da Educação adote, por meio de alterações na Base Nacional Curricular Comum, a inserção da discussão sobre saúde mental nos ensinos fundamental e médio do Brasil. Essa medida poderá ser feita por meio de palestras com psiquiatras e psicólogos, e deverá ser destinada aos alunos, bem como a pais e profissionais da educação, a fim de que eles possam identificar nos adolescentes, jovens e adultos, possíveis alterações comportamentais precursoras de uma desordem psicológica, permitindo assim um tratamento mais rápido e eficaz desses males.