Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 20/11/2020

O premiado filme Coringa retrata a vida de Arthur Fleck, um homem que vive à margem da sociedade, cuja própria saúde está em vertigem por não ter condições financeiras para pagar por tratamentos psicológicos e físicos, além dele ser negligenciado pelo governo de Gotham. Nesse contexto, a narrativa da obra cinematográfica pode ser associada à realidade de muitos países, inclusive, a do Brasil, na qual muitas pessoas não conseguem ter autocuidado. Nesse contexto, a perpetuação dessa realidade reflete um quadro desafiador para uma parcela da população, seja pela ineficiência estatal, seja pela desinformação.

Mormente, é justo reconhecer as iniciativas do Poder Público que visam a atenuar essa problemática, como a criação do Sistema Único de Saúde - SUS - o qual se apresenta como um progresso em relação à saúde da população brasileira. Todavia, a carência de verbas, tal qual a morosidade do atendimento, impede que a população que depende desse sistema possa cuidar efetivamente da saúde física e mental. A esse respeito, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman afirma, em sua obra “Modernidade Líquida”, que algumas instituições, a exemplo do Estado, perderam sua função social, mas tentam conservá-la a todo custo, sendo denominadas de “instituições zumbis”. Destarte, enquanto o SUS não for estável, parte da população terá o bem-estar negligenciado.

Outrossim, consoante aos dados revelados pelo CPS (Centro de Pesquisas Sociais), cerca de 60% dos entrevistados afirmaram que não vão ao psicólogo ou a um psiquiatra. Dessa forma, pode-se dizer que a carência de informação contribui para que essa parcela populacional não consiga ter acesso ao tratamento psíquico. Sob esse viés, o médico Dráuzio Varella afirma que mesmo que exista tratamento gratuito no país, como o CAPS (Centro de Atendimento Psicossocial), as pessoas desconhecem pela carência de informação midiática. Dessa maneira, faz-se urgente a existência de campanhas na mídia para que os indivíduos saibam a existência e possam se cuidar mais.

Urge, portanto, uma solução para essa problemática. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde enviar verbas para a construção de novos hospitais e novas alas de atendimento nos principais centros urbanos, contratando novos profissionais de saúde, como psicólogos e psiquiatras, além de equipamentos, por meio de um financiamento promovido pela Secretaria do Tesouro Nacional, possibilitando celeridade ao atendimento médico do país. Além disso, a mídia tem o importante papel de divulgar a existência de tratamento sanitário e psiquiátrico gratuito na televisão, internet, rádio, outdoors etc, a fim de incentivar as pessoas a buscarem ajuda sanitária nesses locais. Assim, espera-se que o autocuidado seja impulsionado, além de evitar a trágica realidade do filme Coringa.