Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 24/11/2020
A série americana Spin Out conta a história de Katerine Baker, uma jovem patinadora que busca a ascensão no esporte enquanto luta contra episódios de bipolaridade. Analogamente, muitas pessoas são acometidas de doenças mentais no mundo contemporâneo, principalmente ansiedade e depressão. Nesse sentido, é necessário compreender os motivos que levam as pessoas a adquirirem essas doenças mentais e as suas consequências para o próprio indivíduo, sua família e a sociedade.
Em primeiro plano, cabe ressaltar que o estilo de vida capitalista, reforçado, principalmente, após o fim da Guerra Fria, na década de 90, é responsável por exigir desempenhos cada vez melhores da população, fazendo com que a saúde mental seja negligenciada. Diante disso, a família e a escola exercerem uma pressão gigantesca para que o indivíduo siga padrões sociais e alcance um patamar de sucesso, o que pode ser um gatilho para que doenças mentais se desenvolvam ou simplesmente se agravem. Logo, o doente vive um misto de sentimentos negativos, como raiva e frustração, e não consegue se mobilizar para fazer mudanças, ainda que pequenas.
Outrossim, quando o indivíduo não busca tratamento e/ou não aprende a lidar com a psicopatologia, muitas consequências se materializam em sua vida. Nesse contexto, o acometido pela doença pode desenvolver vícios, visto que álcool e drogas, por exemplo, são constantemente usados como válvulas de escape em situações incômodas. Ademais, apesar de o apoio familiar ser importante, ele pode retrair e afastar o doente, se o próprio não estiver apto a fazer o tratamento. De acordo com o filósofo Séneca, “parte da cura é o desejo de ser curado”, portanto, o pontapé inicial tem que ser dado pelo enfermo, devendo se conscientizar da doença e buscar a ajuda necessária.
Assim, as psicopatologias mostram-se como desafios no que diz respeito ao alcance de uma sociedade resiliente e, desse modo, necessitam de políticas públicas para freia-las. Para tanto, a família deve promover um tratamento psicológico para os filhos desde as idades iniciais da vida por meio de acompanhamento psicológico regular, seja individual ou entre família, desde a infância, objetivando evitar o desenvolvimento de doenças mentais e, caso acometa algum familiar, iniciar rapidamente um tratamento efetivo, para que não se agrave. Por fim, a escola precisa incentivar o apoio à saúde mental de alunos e professores por intermédio de projetos, como rodas de conversa acompanhadas de profissionais da saúde, e providenciar um terapeuta escolar para auxiliar quaisquer mudanças comportamentais dos alunos, a fim gerar futuros adultos aptos a lidarem com as próprias emoções. Dessa forma, situações como as retratadas em Spin Out ficarão somente no mundo ficcional.