Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 26/11/2020

Conforme o filósofo Michael Foucault, a consolidação do bem-estar psíquico é um produto direito da ideia de zelo pessoal. Dessa forma, a saúde mental relaciona-se grandemente com a cultura do autocuidado, que, por sua vez, é importante para a plena garantia do progresso pessoal e coletivo. Entretanto, aspectos como a negligência governamental e a manipulação midiática tornam-se entraves na questão.

Vale destacar, inicialmente, a inércia estatal como desafio a se superar.  Nesse sentido, a Constituição Federal, elaborada há 32 anos, baseou-se na concepção de que é dever público fomentar e generalizar a saúde em todos os seus aspectos, a incluir a esfera psicológica. Contudo, é notável a ruptura entre a teoria e a realidade, haja vista a divulgação de dados pela Organização Mundial da Saúde, os quais apontam que mais de 50% dos detentores de distúrbios mentais não são tratados. Tal panorama, portanto,  fere direitos e prerrogativas basilares e, por isso, deve ser alterado.

Além disso, deve-se considerar a manipulação midiática como ameaça ao autocuidado. Sob esse viés, o sociólogo francês Bourdieu, em seu conceito acerca do ideal de Violência Simbólica, define como agressivos quaisquer agentes que causem controle e omissão da realidade. Assim sendo, os meios de comunicação são violentos, pois não incentivam o cultivo da autoestima e da aceitação pessoal, uma vez que campanhas a esse respeito não usufo devido espaço nas publicidades. Logo, medidas devem ser postas em prática no Brasil para resolver esses problemas.

Diante disso, compete ao Ministério da Saúde ampliar a rede pública de atendimentos mentais, por meio da criação de um projeto de lei. Por sua vez, esse projeto deve garantir a realização de concursos públicos, cujos editais devem ser bianuais, com o objetivo de assegurar maior volume de psicólogos e psiquiatras atuantes em todas as áreas nacionais. Ademais, urge que o Ministério das Comunicações crie publicidades ilustrando a importância de manter a cultura de cuidado próprio, com o fito de findar a omissão. Dessa maneira, o pensamento de Foucault há de se concretizar.