Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 27/11/2020

Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo, era vencido pela exaustão, assim a pedra retornava à base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se aos desafios encontrados em nossa atualidade para manter uma boa saúde mental e reconhecer a importância da cultura do autocuidado. Sendo assim, torna-se imprescindível a ação do Estado no que concerne à falta de incentivos ao autocuidado e à cobrança excessiva por produtividade.

Em primeiro lugar, nota-se que com as diversas tarefas diárias, o estresse torna-se cada vez mais presente, fazendo com que o ser humano, muitas vezes, deixa em segundo plano, atividades simples que envolvem o autocuidado, como atividades físicas, terapia e uma boa alimentação, visto que, raramente, reconhecem a importância de tais atitudes. Consoante, Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos. Logo, verifica-se que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil, à medida que o Estado não tem tomado medidas capazes de incentivar a população a desenvolver consciência da importância do autocuidado, uma vez que pessoas estressadas não conseguem obter bons desempenhos e tornam-se mais suscetíveis à potencialização do estresse, e dessa forma, às doenças, tanto físicas, quanto emocionais.

Em segundo lugar, observa-se que a cobrança excessiva por produtividade é um fator que tem colaborado para que as pessoas  negligenciem a cultura do autocuidado. Nesse sentido, segundo o filósofo alemão Arthur Schopenhauer: “O maior erro que um homem pode cometer é sacrificar a sua saúde a qualquer outra vantagem”. Nessa perspectiva, nota-se que muitos indivíduos tem desenvolvido, cada vez mais, a autocobrança exacerbada, visto que presam mais pela produtividade e pelo bom desempenho. Logo, um déficit na cultura do autocuidado é gerado e a dificuldade para lidar com frustações desenvolve doenças como depressão e ansiedade, que podem levar ao suicídio.

Sendo assim, visando incentivar a população a obter hábitos de autocuidado e a desenvolver uma boa saúde emocional, faz-se necessário que o Governo, juntamente com o Ministério das Comunicações, crie campanhas midiáticas capazes de conscientizar a população da importância do autocuidado. Além disso, que o Governo, na figura do Ministério da Saúde, juntamente com o Ministério da Educação, realize uma conscientização nas escolas sobre a importância da rejeição às atitudes de autocobrança, além de evidenciar a importância dos psicólogos e a busca por terapias, a fim de que a população, desde muito cedo, busque atitudes que desenvolvam o autocuidado, proporcionando uma população que tenha a saúde mental como primórdio.