Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 27/11/2020
“Como é que irão viver os que virão depois, já que a única coisa que importa é o triunfo do agora? ”. Esse questionamento do escritor José Saramago, leva à conclusão de que há, de fato, como afirma o pensador português, uma «cegueira da razão». Dito de outra forma, não perceber a realidade, significa não enxergar o outro. Nessa lógica, ao se discutir sobre saúde mental e a cultura do autocuidado, cabe não apenas refletir sobre a cobrança excessiva por produtividade, tanto do próprio indivíduo quanto da sociedade, mas também questionar o negligenciamento da família e escola.
Sob esse viés, é lícito postular a cobrança excessiva como impulsionadora desse revés. Nesse sentido, segundo o filósofo alemão Arthur Schopenhauer: “O maior erro que um homem pode cometer é sacrificar a sua saúde a qualquer outra vantagem”. Nessa perspectiva, muitas pessoas realizam uma auto cobrança exacerbada, visto que prezam pela produtividade e rendimento. No entanto, acabam se esquecendo da importância do autocuidado e sacrificam sua saúde. Logo, um déficit na cultura do autocuidado é gerado e a dificuldade de lidar com as frustrações resulta em doenças mentais como depressão, ansiedade e até mesmo suicídio.
Outrossim, é imperativo pontuar a falta de problematização da família e escola como agravante da problemática supracitada. Por esse ângulo, o âmbito familiar e escolar, muitas vezes, é omisso quanto as dores psíquicas dos jovens, uma vez que expressões de ideais baseados em conceitos mal formulados ou não esclarecidos dificultam a problematização. Assim, de acordo com o escritor do Império Romano Séneca: “O que pensas de ti próprio é muito mais importante do que os outros pensam de ti”. Nesse espectro, é fundamental o autoconhecimento para conseguir enfrentar esses obstáculos e consequentemente os ambientes de vivência serão impulsionados a mudar de perspectiva.
Há, nessa discussão, um caminho que precisa ser reconstruído. Nessa lógica, é essencial que o Governo Federal, por intermédio do Ministério da Saúde, juntamente com o Ministério da Educação, realize uma conscientização nas escolas, por meio de debates e palestras que visam reformular conceitos equivocados acerca da saúde mental, além de evidenciar a importância dos psicólogos no combate a mudanças de mentalidade e comportamento, buscando o controle sobre a auto cobrança e o incentivo pela cultura das terapias, a fim de diminuir a pressão psicológica e proporcionar o verdadeiro autocuidado. Com isso, pode-se acreditar na desconstrução da “cegueira da razão”, denunciada por Saramago, e diminuir o número de gravidez na adolescência.