Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 07/12/2020
Na série “Merlí”, o professor de filosofia da personagem “Ivan” o ajuda a voltar às aulas após o jovem se afastar do ambiente escolar por conta de sua baixa autoestima, que o impediu de cuidar de si próprio. Fora da ficção, o autocuidado, muitas vezes, também é negligenciado na vivência das pessoas, resultado de uma saúde mental fragilizada. Nesse contexto, tal problemática decorre da baixa importância que as instituições revelam sobre esse tema e da incessante necessidade de o ser humano se enquadrar em padrões impostos pela sociedade, fator que o faz esquecer de si mesmo.
Em primeiro plano, nota-se a ausência de preocupação que algumas instituições, como a escola, têm acerca do tema saúde mental. Nesse viés, na série canadense “Anne with an E”, o próprio professor de “Anne” se omite de defender a aluna após ela ser ofendida pelos seus colegas, fato que se configura como um claro exemplo de banalização da saúde metal, igualmente frequente fora da ficção. Sob esse prisma, observa-se a manifestação do conceito de “Banalidade do Mal”, da filósofa Hannah Arendt, o qual consiste em naturalizar ações danosas à sociedade. Assim, por não receberem amparo social, as vítimas sentem-se desvalorizados e negam seu autocuidado.
Ademais, vê-se a questão da necessidade intrínseca de o ser humano se adequar a padrões socialmente impostos como fator pertinente nesse quadro. Nessa conjuntura, segundo o filósofo Schopenhauer, os indivíduos são movidos por vontades ilimitadas e nunca chegam a um contexto de satisfação plena ou padrão desejado, sendo, no final, tomados por um sentimento de angústia. Dessa forma, esse estado emocional de incompletude faz o indivíduo esquecer de si próprio, o qual abre mão de atitudes que promoveriam seu bem-estar, como prática de esportes e passeios, em nome da adequação imposta por uma sociedade cada vez mais competitiva.
Portanto, é mister que o Estado tome providências cabíveis para solucionar o problema. Destarte, cabe ao Ministério da Educação promover campanhas em escolas e espaços públicos que abordem a temática do autocuidado, mediante a exposição de dicas como sobre se cuidar, as quais devem ser passadas por psicólogos especializados na área, com o fito de fornecer a devida importância à saúde mental e ao bem-estar dos cidadãos. Por fim, o Ministério da Saúde deve oferecer consultas psicológicas gratuitas nas unidades de saúde da família, as quais, mediante terapeutas, procurem atender casos de baixa autoestima , por meio de atendimentos periódicos, o que irá reduzir a incidência de casos como o de “Ivan”.