Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 27/11/2020

A obra literária “O Alienista”, do escritor Machado de Assis, narra a história do Dr. Simão Bacamartes, um psiquiatra que abriu uma clínica para estudar a loucura e doenças da mente. Com isso, Simão começa a internar várias pessoas da cidade, no começo pessoas com desvios, mas depois as pessoas sãs e por fim, ele percebe que o desvio estava nele e acaba se internando. De similar maneiraoga à obra, a saúde mental contemporânea ainda é negligenciada e a cultura do autocuidado é desprezada. Isso se deve, majoritariamente, pela cobrança excessiva pela produtividade, tanto do indivíduo próprio quanto da sociedade e o pelo negligenciamento da família e escola.

Em primeiro lugar, é lícito postular a cobrança excessiva como impulsionadora desse revés. Nesse sentido, segundo o filósofo alemão Arthur Schopenhauer: “O maior erro que um homem pode cometer é sacrificar a sua saúde a qualquer outra vantagem”. Nessa perspectiva, muitas pessoas realizam uma autocobrança exacerbada, visto que prezam pela produtividade e rendimento. No entanto, acabam se esquecendo da importância do autocuidado e sacrificam sua saúde. Logo, um déficit na cultura do autocuidado é gerado e a dificuldade de lidar com as consequências resultantes em doenças mentais como depressão, ansiedade e até mesmo suicídio.

Em segundo lugar, é imperativo pontuar a falta de problematização da família e escola como agravante da problemática citada. Assim, o âmbito familiar e escolar, muitas vezes, é omisso quanto às dores psíquicas dos jovens, uma vez que expressões de base baseada em conceitos mal formulados ou não esclarecidos dificultam a problematização. Assim, de acordo com o escritor do Império Romano Séneca: “O que pensas de ti próprio é muito mais importante do que os outros pensam de ti”. Nesse espectro, é fundamental o autoconhecimento para encontrar esses objetivos e consequentemente os ambientes de vivência serão impulsionados para mudar de perspectiva.

Sendo assim, medidas são imprescindíveis para fomentar uma produção do autocuidado e problematização sobre saúde mental. À vista disso, necessário-se que o Governo Federal, na figura do Ministério da Saúde, juntamente com o Ministério da Educação, realizar uma conscientização nas escolas, por meio de debates e palestras que visam conceitos reformulares equivocados sobre saúde mental, além de evidenciar a importância dos psicólogos no combate a mudanças de mentalidade e comportamento, buscando o controle sobre a autocobrança e o incentivo pela cultura das terapias, um fim de diminuir a pressão psicológica e proporcionar o verdadeiro autocuidado.