Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 17/12/2020

Desde o advento da Revolução Indústrial, as mudanças culturais e sociais são cada vez mais frenéticas devido ao desenvolvimento de novas tecnologias que alavancam a produtividade. Com isso, o modo de organização, hiperprodutivo, da população tem negligenciado uma cultura de autocuidado e, por consequência, a saúde mental. Dessa maneira, os transtornos mentais estão propircionalmente mais comuns a medida que essa falta de cuidado ocorre.

Inicialmente, é importante reconhecer que a maneira de viver da sociedade está afetando negativamente a saúde mental dos indivíduos. Essa realidade é justificada tendo em vista o ritmo acelerado em que as informações transitam, mudanças ocorrem e relacionamentos são descartados em prol da produtividade. Sob esse viés, de acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em seu livro “Medo Líquido”, nós, enquanto sociedade, estamos fragilizando as relações substintuindo a qualidade pela quantidade. Consequentemente, essa instabilidade líquida da vida moderna pode acarretar no desenvolvimento de transtornos psicológicos como a depressão. Conforme dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), essa doença será a mais comum do mundo até 2030.

Outrossim, é válido ressaltar a falta de uma cultura do autocuidado na sociedade. Para o antropólogo Edward Tylor, cultura é todo o complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes e hábitos adquiridos. Nessa perspectiva, é perceptível a falta de costume em procurar ajuda especializada pela crença de que psicólogos e psiquiatras são “médicos de loucos”, por causa do passado relacionado aos antigos manicômios (onde ocorriam procedimentos desumanos). Segundo a OMS, entre os jovens com doenças mentais a maioria não recebe cuidados psicológicos. Por conseguinte, é necessário um esforço por parte das autoridades públicas para incentivar nessa população hábitos de autocuidado com o auxílio de um profissional para tratar os sintomas de transtornos não somente depresssivos mas também transtornosde imagem e de personalidade.

Portanto, é mister que o Estado tome medidas para imputar na população a consciência da importância do autocuidado para a saúde mental. Logo, urge ao governo federal, em parceria com o Ministério da Saúde e a mídia, o dever de informar a população sobre os riscos de ignorar sintomas de doenças mentais. Essa ação será feita por intermédio de reportagens e entrevistas, veiculadas em canais de televisão aberta, com psicólogos e psiquiatras em que abordarão questões como sintomas de transtornos mentais, suicídio e como buscar ajuda. Dessa maneira, o intuito desse ato é fazer com que a população substitua suas crenças antigas sobre doenças mentais, como depressão, e crie o costume de procurar especialistas para o tratamento de suas enfermidades, priorizando o autocuidado.