Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 01/12/2020
De acordo com o filósofo David Hume, a principal característica que difere o ser humano dos outros animais é o pensamento, o que evidencia a importância da manutenção da saúde mental, por meio do autocuidado, para o bem-estar individual. Todavia, no cenário brasileiro hodierno, tal perspectiva não se efetiva de forma plena, pois a negligência estatal - quanto à prevenção e ao tratamento de transtornos mentais - e o excessivo fluxo informacional contemporâneo influenciam negativamente a temática em pauta.
Em primeiro plano, a atuação do Estado tem sido insuficiente no âmbito do combate a doenças psíquicas. Nesse viés, conforme dados divulgados em 2019 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 5,8% da população brasileira sofre de depressão - taxa considerada extremamente elevada. Diante disso, é notório que a ausência de políticas públicas eficazes, como o maior apoio a instituições voltadas ao atendimento psicossocial, produz sérios danos à saúde pública nacional, pois restringe as possibilidades de tratamento aos transtornos psíquicos. Desse modo, corrobora-se o crescimento de psicopatologias capazes de provocar nefastas consequências, tal como o aumento dos casos de suicídio entre, principalmente, o público jovem.
Ademais, a velocidade e a quantidade de informações propagadas nas mídias contemporâneas impactam diretamente a saúde mental do indivíduo. Sob esse prisma, o sociólogo Zygmunt Bauman, na obra ‘‘Modernidade Líquida’’, destaca que a dinamicidade informacional vigente fragiliza as relações sociais. Nesse sentido, as mídias virtuais - não obstante seu admirável viés integrativo -, por intermédio da imposição de formas preestabelecidas de comportamentos e de estilos de vida, podem afetar a saúde mental individual na medida em que volatiliza os vínculos concretos entre diferentes pessoas. Dessa forma, torna-se claro que o autocuidado constitui ferramenta primordial quanto à prevenção de doenças e ao aprimoramento da saúde pública em escala geral.
Portanto, demonstra-se a relevância do debate acerca da problemática em questão. Logo, cabe ao Governo Federal a priorização de investimentos no âmbito da saúde mental da população, a fim de reduzir os casos de depressão e de outros transtornos, além de evitar diversas ocorrências de suicídio. Tal medida deve ocorrer mediante a disponibilização de maiores verbas aos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), de maneira a possibilitar tratamentos e prevenções a indivíduos de diferentes classes sociais e faixas etárias. Outrossim, os usuários das mídias virtuais devem buscar as práticas de autocuidado para prevenirem-se da volatilidade social contemporânea e, finalmente, tornar possível efetivar a valorização da psique humana supracitada por Hume.