Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 02/12/2020

O filme “Coringa”, que é um suspense psicológico estadunidense, retrata a história de Arthur Fleck, um palhaço fracassado das ruas de Gotham City que sofre de Transtorno de Expressão Emocional, além de apresentar indícios de depressão, alucinações e ansiedade. Essas condições fazem com que o protagonista seja negligenciado e tratado de forma apática pela sociedade, o que leva ao desenvolvimento da psicopatia a partir da psicose. Analogamente, no que concerne à saúde mental no atual cenário brasileiro, verifica-se o aumento exponencial de casos de transtornos psíquicos, em consonância com a produção cinematográfica norte-americana. Entre as causas para este fenômeno, pode-se citar os efeitos da pós-modernidade, que traz consigo uma fulcral necessidade de fomento à cultura do autocuidado para evitar casos extremos como o de Fleck.

A princípio, cabe pontuar que, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, a pós-modernidade é caracterizada pela fragilidade humana e pela inconstância dos laços interpessoais, com presença marcante do individualismo, do egoísmo e da indiferença em relação ao sofrimento alheio no corpo social, fato que pode ser verificado na obra “Coringa”. Esse aspecto configura o gatilho ideal para a manifestação de distúrbios mentais, que, na teoria freudiana, surgem de frustrações internas como uma forma inconsciente de defesa em relação à realidade, quando já não é mais possível suportar a mesma. Sendo assim, é imprescindível incentivar medidas para reverter esse quadro na nação brasileira, que garante em sua Constituição o bem-estar social.

Por conseguinte, a prática do autocuidado emerge como um caminho alternativo para amenizar os dados alarmantes, que indicam, segundo a Organização Mundial da Saúde, que 1 em cada 6 jovens, de faixa etária variada entre 10 e 19 anos, apresenta algum transtorno mental. A importância desta prática é reconhecida desde a antiguidade e era conceituada por Sócrates como indispensável aos cidadãos, pois somente cuidando de si próprio e da sua alma, o ser humano alcançaria a autotranscendência e teria uma vida plena. Por fim, influenciar o autoconhecimento é fundamental em uma sociedade cada vez mais alienada pela modernidade líquida, pois saber os próprios limites abre portas para novas saídas.

Em suma, com o intuito de mitigar a problemática das doenças de ordem psíquica, cabe ao Tribunal de Contas da União direcionar capital para que o Ministério da Educação atue na criação de campanhas, que devem ser voltadas especificamente para os jovens, por meio de cartazes explicativos nas escolas e palestras com psicólogos. Desta forma, as novas gerações estarão cada vez mais conscientes sobre a necessidade de se autocuidar para evitar transtornos mentais.