Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 06/12/2020

A Constituição Federal de 1988 -documento jurídico mais importante do país- prevê em um dos seus artigos, o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Contudo, o atual cenário da saúde mental e a falta de autocuidado impede que tal prerrogativa seja efetuada na prática. Diante disso, deve-se analisar quais motivos contribuem para a permanência da problemática no país.

Em primeiro plano, é importante ressaltar que a escassez de assistência psicológica é uma das causas do problema. Segundo Thomas Hobbes, é dever do Estado garantir o bem-estar dos cidadãos. Nesse contexto, nota-se que existe uma ineficiência do poder público na questão da disponibilização de psicólogos em centros de saúde e escolas. Dessa forma, a ausência de especialistas contribuem para o agravamento de transtornos mentais já existentes principalmente em jovens, uma vez que nem todos possuem a quem recorrer.

Faz-se mister, ainda, salientar que a falta de cuidado pessoal é outra adversidade que corrobora para o aumento do quadro. De acordo com o filósofo Michel Foucault, o autocuidado é sinal de liberdade e cuidar de si deve ser um comportamento essencial a todo ser humano, já que este é determinado a viver em sociedade. Diante do exposto, percebe-se que trabalhar o amor próprio e cuidar da saúde psicológica colabora para o bom convívio social e na diminuição dos quadros de depressão.

Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse. De forma análoga ao pensamento de Hobbes, cabe ao Estado juntamente com o Ministério da Saúde financiar a contratação de psicólogos em postos de saúde e nas escolas, além de promover palestras nessas instituições a fim de informar alunos e pais sobre a importância de uma boa saúde mental e como ela interfere em toda a vida do indivíduo. Espera-se, com isso, que o benefício proposto pela Constituição saia do papel e efetue-se na prática.