Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 08/12/2020

O poeta Carlos Drummond de Andrade metaforizou, em seu poema “No meio do caminho”, a ideia de que, durante a vida, os indivíduos encontrarão empecilhos a serem superados. Sob tal ângulo, percebe-se que os transtornos mentais, como ansiedade e depressão configuram-se como um obstáculo para muitos brasileiros no século XXI. Esse cenário nefasto ocorre em virtude da insuficiência legislativa e da falta de visibilidade do assunto.

Em primeiro lugar, convém mencionar a insuficiência estatal referente ao tema. Em relação a isso, o termo “ausente contumaz”, elaborado pelo ex-presidente Washington Luís, norteia a negligência dos órgãos públicos, em grande parte, com assuntos de aspectos sociais, como a saúde mental dos brasileiros. A título de exemplificação, nota-se que a maioria das escolas públicas não apresentam acompanhamento psicológico, com o intuito de ajudar os jovens a lidarem com suas emoções. Tal descaso reflete na saúde psíquica do adolescente, já que, segundo o site G1.com, os jovens passam grande parte do seu tempo na internet, a qual é um ambiente que, muitas vezes, difundi o preconceito, como o racismo e a maioria dos brasileiros sentem-se oprimidos em relação a isso podendo até entrar em um estado de depressão.

Em segundo lugar, é válido salientar a falta de visibilidade do tema. Consoante à ideia do linguista norte-americano Noam Chomsky, os veículos de comunicação têm a capacidade de silenciar, muitas vezes, determinados assuntos, como a saúde psicológica no século XXI no Brasil. Nesse sentido, é evidente que a problemática do transtorno mental, uma vez não abordada pela mídia, torna-se um assunto pouco discutido em sociedade. Desse modo, o não protagonismo da temática em questão, a qual precisa ser abordada com relevância pelos meios de comunicação, a fim de que se minimizem os impactos relacionados a ela, como a depressão, o suicídio e a ansiedade, torna-se esquecido das prioridades a serem solucionadas no país, além de colaborar com a perpetuação desse mal na contemporaneidade.

Portanto, o problema mostra-se uma “pedra” a ser removida para o desenvolvimento do Brasil. Destarte, cabe ao Ministério da Educação - órgão responsável por garantir o acesso ao sistema educacional - incluir, na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), uma disciplina capaz de ensinar os alunos formas de lidarem com as emoções e sentimentos que as pessoas encontram no decorrer da vida, como a tristeza, com o intuito de manter o bem-estar psíquico dos jovens. As aulas da referida matéria poderiam ser ministradas por psicólogos, que buscariam desenvolver atividades para trabalhar o assunto em sala de aula.