Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 09/12/2020
De acordo com a Lei da Inércia de Isaac Newton, a tendência de um corpo é permanecer parado quando nenhuma força é exercida sobre ele. Fora das ciências da natureza, é possível perceber a mesma conotação no que concerne ao Brasil do século XXI, o qual enfrenta uma crise de saúde mental evidenciada pela ausência de ações que intercedam na resolução dela. Dessa forma, essa lacuna de atitudes promove a configuração de uma problemática, em virtude da interferência inadequada dos instrumentos midiáticos e da falta de debates acerca da importância dos meios de preservação do bem-estar cognitivo.
Depreende-se, antes de tudo, que a má influência da mídia pode ser um grande catalisador para o desenvolvimento de transtornos mentais. Assim, Pierre Bourdieu defende que aquilo que é feito para servir de instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Sob esse viés, os veículos midiáticos, frequentemente, oprimem as pessoas por meio da incitação da busca por padrões idealizados, tanto de prestígio social e financeiro, quanto em relação a moldes de beleza irreais. Desse modo, essa indução pode desencadear o sentimento de alienação nos indivíduos que consomem essas mídias e gerar distúrbios psicológicos severos nesses sujeitos.
Infere-se, ademais, que a ausência de discussões acerca da importância do autocuidado caracteriza-se como um complexo dificultador para a resolução dessa adversidade. Diante dessa perspectiva, segundo o filósofo alemão Habermas, a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Nesse sentido, para que a cultura do autocuidado seja perpetuada, é necessário debater sobre ela. Contudo, discussões acerca do cuidado de si mesmo não são difundidas na nação brasileira, uma vez que esse assunto não é tratado com sua devida importância. Em síntese, faz-se necessário que esse hábito de cuidado próprio seja estimulado e discutido na nação.
Conclui-se, portanto, que o bem-estar cognitivo das pessoas deve ser valorizado. Assim sendo, o Ministério da Saúde, com o apoio dos órgãos de Psicologia, deve, por meio de verbas públicas, criar um projeto acerca da importância da preservação da saúde mental em todo o Brasil. Nessa perspectiva, esse projeto seria constituído de propagandas em veículos midiáticos que abordem a relevância de preservar a higidez psíquica, além de estimular o autocuidado, incentivar o debate desse assunto com pessoas próximas e recomendar a procura por profissionais de psicologia por todos. Em suma, por meio dessas ações, a mídia cumpriria seu papel democrático, o tema seria debatido e a população poderia tornar-se mais consciente em relação ao valor da saúde mental.