Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 09/12/2020

O “mito da caverna”, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Em alusão à citação, percebe-se que a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito à indiferença quanto a questão da saúde mental e da cultura do autocuidado. De acordo com os dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), o Brasil tem o maior número de pessoas ansiosas do mundo: 18,6 milhões de brasileiros convivem com o transtorno. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação que possui como causas: a lenta mudança na mentalidade social e a carência de debate.

Primeiramente, é preciso salientar que a lenta mudança na mentalidade social é uma causa latente do problema. Segundo Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão da saúde mental e do autocuidado é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que muitos brasileiros ainda relacionam o fato de buscar apoio de um psicólogo ou de um psiquiatra com a emissão de um “atestado de loucura ”. Diante disso, nota-se que esse estereótipo leva à diminuição da procura por ajuda profissional para recuperar o equilíbrio emocional, realidade alarmante que dificuldade a resolução do problema.

Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é a falta de debate. Desse modo, Habermas traz uma contribuição importante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Dessa forma, para que os quadros de ansiedade e depressão entre brasileiros diminuam, faz-se necessário debater sobre. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa questão, visto que há pouca discussão nas escolas sobre a importância de obter medidas de prevenção aos transtornos mentais que podem atingir a formação social e emocional dos estudantes. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria a chance de atuação nele.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Como solução, é preciso que as escolas, em parcerias com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre a importância do desenvolvimento de habilidades socioemocionais, bem como desmistificam os transtornos mentais, assim como outros estigmas relacionados ao tema no ambiente escolar. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e dos profissionais da área de saúde. Ademais, esses acontecimentos não devem se limitar aos alunos, mas serem abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas a esse panorama preocupante e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções.