Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 09/12/2020
Na obra “Entre Quatro Paredes”, do filósofo Sartre, a personagem Garcin vocifera “o inferno são os outros”. Nesse viés, evidencia-se a existência de uma tendência em negativar o meio em que o indivíduo está inserido, a qual muitas vezes gera um adoecimento mental num contexto social amplo. Com base nisso, é notório que no Brasil hodierno existe um aumento severo nas taxas de transtornos psíquicos, principalmente entre jovens de 15 a 19 anos, segundo a Organização Mundial da Saúde. Dessa forma, é necessário discorrer acerca das raízes da problemática, as quais pautam-se numa mídia que corrobora a baixa autoestima e nos padrões sociais impostos.
Com efeito, para Adorno, expoente da Escola de Frankfurt, a Indústria Cultural aliena a população com sua massificação e superficialidade. Consoante o disposto, a mídia em geral retrata corpos, vidas e padrões completamente “perfeitos”, os quais geram no indivíduo alienado uma ansiedade em busca do que é exposto nessas obras fictícias. Por conseguinte, para o psiquiatra Augusto Cury, a ansiedade é um transtorno de caráter pandêmico e atinge os pacientes em todos os âmbitos de sua vida, inclusive distúrbios na autoimagem, os quais criam a necessidade de aprovação social.
Outrossim, na obra cinematográfica “O Mínimo para Viver”, é retratada uma jovem acometida por anorexia em busca, acima de tudo, de aprender o autocuidado, visto que esse a levaria a cura do transtorno. Em conformidade a isso, é notório o paralelismo do filme com “O Mito da Caverna” de Platão, o qual metaforicamente exemplifica o rompimento do indivíduo com os ciclos viciosos da sociedade. Portanto, configura-se a importância do cuidado próprio para distanciar-se da manipulação de uma indústria e da sociedade adoecida, as quais induzem o ódio pessoal.
Destarte, é evidente a necessidade de ações concretas para a valorização do autocuidado. Com base nisso, é dever do Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, a promoção de palestras nas escolas e universidades, as quais devem ser ministradas por psiquiatras, psicólogos e sociólogos, os quais irão discorrer, de forma lúdica para cada faixa etária, acerca da importância da valorização pessoal e de hábitos que configuram o autocuidado. Além disso, as palestras também devem ser transmitidas ao vivo em redes sociais como “Youtube” e “Instagram” para o público em geral, e em plataformas como o “Google Meet” para debates de caráter mais pessoal. Assim, é possível afastar-se da visão negativa de Garcin perante a sociedade, fomentando pensamentos e atitudes mais saudáveis.