Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 18/12/2020

De acordo com a Organização Mundial da Saúde(OMS), a saúde é um estado de completo bem-estar não só físico, mas também mental e social. Por esse ângulo, o autocuidado se faz um hábito fundamental para preservar a qualidade psíquica das pessoas diante dos execessos do modelo atual da sociedade global. Nesse sentido, cabe analisar a supervalorização do trabalho e do consumo como enfrentamentos que tornam o zelo individual uma prática indispensável.

Em primeira análise, a busca desequilibrada pela ascensão econômica e social evidencia o esgotamento cerebral. Isso porque, o pensador Byung-Chul Han, em seu livro “Sociedade do Cansaço”, defende que ocorre, na sociedade mundial, uma internalização da ideia de ser bem-sucedido e produtivo ininterruptamente. Nesse viés, tal noção proposta pelo filósofo é uma realidade global que evidencia a necessidade de valorização do autocuidado para romper com esses esforços trabalhistas desmedidos que superam as limitações da mente humana. Assim, enquanto este descontrole social se mantiver, o mundo será obrigado a conviver com um dos mais graves obstáculos para a conservação da qualidade psíquica: a superestimação do trabalho.

Em segunda análise, o consumismo contribui para a redução do bem-estar mental. Sob esse aspecto, o sociólogo Bauman criou o termo “Modernidade Líquida” para descrever a ocorrência de um ciclo do prazer fugaz decorrente do consumo superficial, situação que é seguida de frustrações perante a ânsia de adquirir novos produtos. Dessa maneira, o que infelizmente se observa, na sociedade contemporânea, é a perpetuação desse ciclo a partir da sujeição das pessoas a uma condição de fragilidade em que a mente é conduzida a uma busca fracassada pela satisfação material. Visto isso, é inadmissível que esse cenário de desgaste mental continue a perdurar, o que torna urgente o cuidado individual.

Logo medidas são cruciais para incentivar o autocuidado. Portanto, faz-se necessário que as pessoas adotem costumes saudáveis para a mente, por meio da conciliação do tempo destinado às questões trabalhistas e às atividades que revigoram e relaxam a mente, tais como exercícios físicos e meditação. Dessa forma, será possível promover a manutenção da qualidade psíquica, além de alcançar o nível de saúde nos moldes da OMS. Ademais, é primordial que a sociedade desconstrua a noção de felicidade associada ao consumismo, na tentativa de não desgastar e comprometer a mente com prazeres supérfluos.