Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 18/12/2020

A Constituição Federal de 1988 foi responsável pela criação do Sistema Único de Saúde (SUS) que tem como função o acesso integral, igualitário e universal à saúde. Entretanto, o aumento de problemas decorrentes da falta de autocuidado com a saúde mental tem evidenciado uma falha constituicional. Diante disso, evidencia-se a necessidade do debate sobre o tema, haja vista que sua consolidação está atrelada à omissão do governo somada à pressão capitalista sobre a população.

É importante ressaltar, primeiramente, que a falta de desvelo estatal influência na perpetuação do problema em questão. Sob essa perspectiva, o filósofo Rousseua, em sua teoria, disserta sobre o papel do Estado na promoção do bem-estar social. No entanto, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Ecônomico, o Brasil investe menos que a metade da média do grupo em saúde. Assim, com a ausência de investimento, o incentivo de políticas públicas de prevenção e promoção da saúde mental fica prejudicada, contrariando, portanto, preceito contratualista. Em decorrência desse processo, a Organização Mundial de Saúde alerta que o Brasil é o quinto país com maior número de depressivos no mundo.

Ademais, outro fator que corrobora tal triste situação é a máquina do capitalismo selvagem. Acerca desse ponto, o economista Thomas Piketty, no livro “O Capital”, evidencia que, como previsto por Karl Marx, a exploração do trabalhador e a intensificação das desigualdades sociais oriundas do sistema tem aumentado o nível de estresse da população. Nesse sentido, a falta de autocuidado com a saúde mental e o desenvolvimento de psicopatoligas são reflexos das jornas exaustivas de trabalho, aumento da pobreza e miséria, bem como da rotina das grandes metrópoles, com violência urbana e falta de infraestrutura básica, como moradia e saneamento básico. Como consequência, o profissão Réporter, em episódio sobre saúde mental, evidenciou, o aumento de suicídios na última década.

Fica claro, portanto, que a promoção da saúde mental enfrenta barreiras do poder público e do sistema vigente. Urge, portanto, que o Congresso Nacional, por meio de parceria com o Tesouro Nacional, aumente a disponibilidade de verbas para a construção de um plano de saúde mental no país. Tal plano deve contar com políticas públicas de conscientização para a população sobre a necessidade do autocuidado, bem como da disponibilidade de profissionais especializados em toda a rede do SUS, como psicólogos e psiquiatras. Ademais, é fundamental que a população, por meio de abaixo-assinados, pressione os congressistas para que as verbas sejam liberadas e, assim, o direito previsto na Carta Magna possa, enfim, se concretizar na prática.