Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 27/12/2020
A saúde mental e o autocuidado tem estado em pauta recentemente devido ao grande e crescente número de jovens que têm apresentado transtornos mentais, como depressão e ansiedade. Essas doenças são capazes de afetar o indivíduo em diversas esferas (social, educacional e/ou profissional), podendo inclusive levá-lo a cometer suícidio. Entre os diversos obstáculos existentes na prevenção desses transtornos, pode-se citar o intenso desejo pelo desenvolvimento pessoal e a constante conectividade ás redes sociais, são esses dois fatores - cujo entrelaçamento resulta num ciclo vicioso - que prendem o indivíduo, dificultando o cultivo do autocuidado.
A princípio, a reforma protestante e o surgimento do calvinismo, resultou numa nova perspectiva sobre o trabalho, visto cada vez mais como um status de decência e prosperidade, atualmente, a formação no ensino superior tem efeito semelhante. Ter uma carreira profissional ou acadêmica como objetivo não é um problema, mas sim, renegar o autocuidado em prol desses motivos, uma vez que, a negligência com a saúde mental pode dificultar o prossesso de aprendizado e a produtividade. Sendo assim, retirar momentos para a autoreflexão, o exercício físico, a interação social e o lazer, por exemplo, são essenciais ao bem estar e ao desenvolvimento pessoal.
Em contrapartida, o mundo globalizado e a instantaniedade da comunicação trouxeram aos humanos um lazer baseado no compartilhamento de basicamente qualquer coisa, inclusive o próprio cotidiano, um assunto que “banha” os feeds das redes sociais. Essas formas de entretenimento podem ser agradáveis por alguns minutos, mas os seus mecanismos prendem a atenção por muito mais tempo, e quanto mais postagens visualizadas, mais comparativos são criados. Com isso, as fotos de viagens, compras, trabalhos, projetos, etc., geram no espectador uma sensação de inferioridade e culpa por não estar produzindo, relembrando-o de seu projeto de vida “por fazer”, logo, ele volta às atividades sem conseguir relaxar ou cuidar de si, permanecendo nesse ciclo que se retroalimenta.
Portanto, medidas são necessárias para solucionar o impasse, começando com ações por parte dos prefeitos - representantes do poder executivo com melhores noções das demandas locais - em parceria e com o financiamento dos setores privados para criarem áreas de lazer como, centros esportivos, museus, feiras culturais, shows, entre outras infraestruturas e eventos capazes de proporcionar recreações alternativas que desconectem os jovens da internet e do trabalho contínuo, afinal, é preciso entender que os momentos de ócio são importantes para se conquistar - de modo epicurista - o equilíbrio e a felicidade.