Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 27/12/2020
Consoante o artigo 196 da Constituição Federal, a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas públicas que visem à prevenção e ao acesso universal e igualitário. Todavia, no que tange à saúde mental, componente fulcral para uma sadia qualidade de vida, o país carece de políticas públicas que visam à sua promoção. Tal fato, deve-se, principalmente, ao pensamento imediatista da sociedade e do desconhecimento sobre os efeitos da saúde mental no corpo físico.
Mormente, vale ressaltar que a negligência com o bem estar psicológico está diretamente relacionada com a mentalidade fugaz capitalista. Segundo o filósofo sul-coreano Byung-Chul, na obra “Sociedade do Cansaço”, hodiernamente, os indivíduos atuam como empresas e estão sob uma pressão constante por resultados. Essa enorme pressão, relacionada à enorme concorrência com os seus pares, faz com que os indivíduos fiquem conectados, por longos períodos, com o trabalho, negligenciando, assim, os momentos de lazer e, por conseguinte, a saúde mental. Destarte, conclui-se que a necessidade por resultados imediatos, associada ao vínculo, quase que permanente, com as obrigatoriedades do trabalho, deteriora a saúde psicologica das pessoas.
Ademais, concomitantemente ao consciente coletivo imediatista, há, também, o desconhecimento das relações entre saúde física e psíquica. Infelizmente, a maioria dos cidadãos priorizam apenas aspectos físicos, como peso, percentual de gordura e glicemia, quando focam na promoção de saúde. Entretanto, segundo dados do grupo de pesquisa do cientista Daniel Drucker, da Universidade de Toronto, indivíduos que possuem marcadores elevados de estresse, como cortisol, posuem um risco três vezes maior de desenvolver diabetes e doenças cardiovasculares. Desse modo, torna-se evidente que saúde física e mental estão interligadas.
Infere-se, portanto, que há entraves a serem resolvidos. Assim, o Ministério da Saúde, por meio de parcerias com os meios de comunicação, deve promover palestras e cursos, a fim de esclarecer a população sobre a importância do bem estar psicológico na saúde dos indivíduos. Esses cursos devem utilizar dados concretos, como as pesquisas do cientista Daniel Drucker, no intuito de ilustrar didaticamente a importância da saúde mental. Dessa maneira, o comportamento negligente dos cidadãos será alterado e o direito assegurado pela Carta Magna será efetivado.