Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 27/12/2020
Em 1988, Ulisses Guimarães promulgou a Carta Magna - norma de maior hierarquia jurídica nacional - e estabeleceu, em seu artigo 6º, a saúde como direito social de todos. Todavia, a problemática da falta de saúde mental, gerada pela ausência da cultura de autocuidado, demontra que a premissa de Guimarães está distante de se tornar realidade entre os brasileiros. Com efeito, essa questão passa pela conscientização social e pela invisbilidade social.
Em primeiro plano, a falta de conscientização sobre à importância do autocuido afeta nocivamente a qualidade de vida dos cidadãos. Nesse sentido, Paulo Freire - sociológo e renomado pedagogo - disserta que a educação configura-se como um podereso instrumento para transformação individual e coletiva. Desse modo, para Freire o processo educacional permite o indivíduo conhecer os mecanismos de prevenção provocados pelos distúrbios psicológicos. Nesse vies, desenvolver hábitos de autocuidado, como: praticar exercícios físicos, zelar pela higiene pessoal, e cultivar as relações sociais, são medidas que proporcionam saúde e bem-estar . Assim, enquanto na consciência coletiva a cultura do cuidado próprio não for regra, a qualidade de vida será exceção.
Em segundo plano, periste na nação verde-amarela um problema histórico e cruel relacionado ao autocuidado: a invisibilidade social. Nesse contexto, a filósofa Simone de Beauvoir afirma que esse fenômeno diz respeito à indiferença pela qual o corpo social é tratado. Ora, a exclusão e invisibilidade denunciadas por Beauvoir atinge grande parcela da população marginalizada, e isso bloqueia o desenvolvimento do autocuidado, pois como não possuem acesso isonômico à educação e à saúde pública, ficam impossibilitados de prevenir os sinais e de tratar as sequelas do sofrimento psíquico. Logo, enquanto esse cenráio de exclusão se mantiver no Brasil, a nação será obrigada a conviver com um dos mais severos prejuízos sociais, segundo Beuavoir: a falta de autocuidado.
Portanto, para garantir a premissa de Guimarães, o Ministério da Educação, como ente responsável pela política nacional de educação, deve promover capacitação dos professores do ensino básico, médio e superior, por meio de cursos de extensão universitária, para que esses promovam a conscientização social difundindo a importância da cultura do autocuidado, para que seja reduzido os índices de pessoas com transtornos psicológicos. E por sua vez, cabe ao Ministério da Saúde, como orgão gestor do sistema de saúde coletiva, disponibilizar profissionais, por meio de contratação de psiquiatras e psicólogos, que desenvolvam ações de prevenção e fomentem estratégias de autocuidado nos programas da saúde da família, com o fito de eliminar a invisibilidade social e assegurar saúde física e metal para todos. Destarte, o Brasil alcançará o status de Estado Democrático de Direito.