Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 02/01/2021
No século XX, a Comunidade Médica Internacional desenvolveu o Manual Diagnóstico de Doenças Psiquiátrias (DSM) e contribuiu para que a saúde mental fosse tratada como prioridade. Todavia, a negligência em torno de doenças, como depressão e ansiedade, mostra que a sociedade brasileira ainda está distante de experimentar os avanços científicos do DSM. Com efeito, a vários desafios que reforçam a existência desse problema, mas, não raro, estão ligados à frágil educação em saúde dos cidadãos e a imposição da cultura do sucesso.
De início, a pequena disseminação de conhecimento sobre autocuidado evidencia a vulnerabilidade do tecido social diante das morvidades psiquiátricas. Sobre isso, segundo o filósofo suíço Imannuel Kant, " o homem é aquilo que a educação faz dele “. Nessa lógica, é notável que o cidadão brasileiro, uma vez que recebe pouca instrução das instituições formadores de opinião - escola, imprensa e família - acerda das práticas de autocuidado, como lazer, atividades físicas e leitura, estão, lamentavelmente, mais propensos a desenvolverem doenças emocionais - tal como descreve Kant. Logo, a falta de fomento à educação em autocuidado causa prejuízo a saúde emocional da população e, por conseguinte, coloca em risco o bem-estar dos cidadãos.
De outra parte, o psicanalista Sigmund Freud, em sua obra " O Mal-estar da Civilização”, desenvolveu o conceito de cultura do sucesso, segundo o qual o indivíduo moderno deve ter êxito em todas as tarefas que se propõe a fazer, e essa imposição seria capaz de causar mal-estar emocional. Essa infeliz realidade de busca desenfreada pelo sucesso, tal como descreveu Freud, se mostra frequente no Brasil, e a sua principal consequência é o esgotamento psíquico, que pode resultar em graves doenças, como bornaut e depressão. Assim, é necessário que a cultura do sucesso seja substituida por práticas de bem-estar, para que doenças mentais não sejam à regra no Brasil.
Portanto, fica explícito a necessidade de medidas para que o cidadão brasileiro reconheça devidamante os riscos e a gravidade das doenças do âmbito emocional. Para tanto, o Ministério da saúde, por meio de parcerias com escolas, emissoras de televisão e mídias digitais, pode promover um amplo debate nacional, acerca da prevenção e dos riscos das doenças psiquiátricas, a fim de conscientizar o tecido social, como ocorre no “setembro amarelo”, porém, tal iniciativa deve ser extendida por um período mais longo, até que surta efeito nas estatísticas sobre saúde mental. Só assim, o brasileiro terá de fato um padrão de saúde emocional correspondente aos avanços do DSM.