Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 31/12/2020

De acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) do ano de 2019, a cada 40 segundos, uma pessoa comete suicídio no mundo. Nesse espectro, diante não só da questão do suicído, mas das variadas desordens que possam incentivá-lo, é necessária uma maior ênfase social no que diz respeito à cultura do autocuidado e à preservação da saúde mental nas sociedades contemporâneas, de modo a combater fatores estruturais do desgaste mental, como o escapismo e as síndromes de ansiedade.

Em uma análise inicial, a tendência social escapista, retratada significativamente pela escola literária do Romantismo no Brasil e no mundo, ainda é ativamente explorada pelas sociedades contemporâneas. Efetivamente, a indústria cinematográfica trata do escapismo em obras populares como Coraline, em que a protagonista encontra um portal mágico para uma realidade alternativa adorada por ela, mas que logo demonstra seu potencial destrutivo para com a personagem. Sumariamente, a metáfora do filme engloba com precisão e sutileza os riscos de uma rendição integral ao subconsciente e, concomitantemente, as dificuldades do jovem em lidar com problemas na vida real.

Paralelamente, essa sensação de insatisfação pode gerar mais do que apenas desconforto, como crises de ansiedade, pânico e até síndromes de esgotamento ou “burnout”, tal qual retrata a jovem Hailey Hardcastle, em palestra ao programa TED. Nesse prisma, Hailey criou a iniciativa “mental health days”, que defende o direito de jovens a faltar à escola quando não se sentirem psicologicamente estáveis ou dispostos a fazê-lo e ainda sugere consultas com orientadores caso as faltas ganhem alguma frequência. Assim, existe um apelo efetivo e saudável à preservação da saúde mental e à importância da noção de autocuidado enquanto maneiras de cobater o estresse, a ansiedade e demais fatores que comprometem o bem-estar.

Desse modo, é imprescindível o incentivo à manutenção da estabilidade mental de modo a combater e previnir complicações da saúde psicológica. Em razão disso, é de responsabilidade do Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, a partir da determinação de obrigatoriedade na instalação de ao menos um profissional psicólogo em todas as instituições de ensino público ou privado, além de fornecer acompanhamento quando necessário, apresentar aos brasileiros, desde idades escolares, a cultura do autocuidado. Assim, finalmente, haverá uma resposta satisfatória do país às instabilidades da saúde mental na Era Moderna.