Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 11/01/2021
O ano de 2020 entrou para a história como aquele no qual o corona vírus ganhou proporções globais e se estabeleceu como a pandemia mais nefasta das últimas décadas. A sensação de desorientação e catástrofe iminemte ante esse cenário caótico trouxe relevência para temáticas como a saúde mental e a importância do autocuidado. Contudo, mesmo com a popularização dessas discussões, nota-se a sua limitação social, em razão da discrimicação como catalisador de doenças mentais e da desigualdade social como barreira para o autocuidado.
Em primeira análise, vê-se que o suicídio, segundo a Organização das Nações Unidas, ONU, é responsável por cerca de 800 mil mortes por ano. Além disso, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, OMS, a discriminação é a principal causa que leva as pessoas a tirarem a própria vida. Nessa perspectiva, segundo Michel Foucault, filósofo francês, o poder é um feixe de relações que se distruibui de forma assimétrica, ou seja, ao longo do tempo são criados discursos hegemônicos que se consolidam em meio a sociedade. Dessa forma, mesmo que tais relações de micropoder sejam totalmente falsas e ilegítimas, se transformam em conveção e abrem espaço para uma discrimicação sem sentido e que, hodiernamente, têm sido o principal vilão da saúde mental no planeta.
Ademais, uma sociedade desigual como a brasileira, mostra-se como um grande entrave para uma cultura de autocuidado. Já que, a parcela mais pobre do país muitas vezes não possui acesso nem mesmo a um sistema de saneamento básico. Nesse contexto, na teoria do materialismo histórico dialético, de Karl Marx, sociólogo alemão, a realidade material que cerca o indivíduo acaba por moldar a sua consciência. Seguindo essa linha de pensamento, fica evidente que o problema da falta de autocuidado tem sua origem no não garantimento das condições sociais básicas a uma grande parcela da população.
É imperativo, portanto, que medidas sejam tomadas para o desenvolvimento de uma cultura na qual ninguém seja mentalmente agredido e todos tenham a oportunidade de cuidar do próprio corpo. Sendo assim, o Estado deve ser mais severo e agir conforme a lei, punindo ações discriminatórias e, com a ajuda a mídia, divulgar tais ações para transparecer a ilegitimidade de preconceitos consolidados na comunidade brasileira. Outrossim, é papel da socidade civil organizada pressionar as prefeituras locais para que, por intermédio da criação de academias públicas periférias e implatação de saneamento básico, as premissas de autocuidado sejam atendidas. Somente assim, a cultura da saúde mental e do autocuidado poderá se consolidar.