Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 03/01/2021

Ao final da Antiguidade Grega, com a conquista macedônica, desenvolveu-se a filosofia helenística voltado ao indivíduo e a felicidade pessoal (eudaimonia). Entretanto, na contemporaneidade brasileira, diferentemente da realidade vista na Grécia Antiga, ocorre a desimportância do autocuidado e a consequente falta de saúde mental, levados pela contraditória e conturbada realidade atual. Por conseguinte, evidenciam-se como precedentes dessas questões: a paradoxal negligência da problemática e a omissão da realidade nas redes sociais, criando expectativas surreais nos usuários.

Sob essa perspectiva, é fundamental citar os dados alarmantes da Organização Pan Americana de Saúde, os quais apontam o suicídio como terceira maior causa de morte entre jovens de 15 a 19 anos. Assim, justifica-se a desvalorização da saúde mental, ao não se divulgar e informar amplamente sobre o tema, além de não haver campanhas enfáticas sobre a situação, de forma a não combater eficazmente o absurdo problema. Nesse sentido, é válido constatar o quão contraditória é a negligência do autocuidado na hodiernidade, tendo em vista que a produtividade é o valor maximamente almejado no capitalismo,  como postula Karl Marx em sua crítica à mais valia, todavia, o sistema voltado para o alcance desse atributo desconsidera o bem-estar individual, crucial ao processo produtivo e ao lucro.

Outrossim, é necessário abordar a irrealista exposição nas redes sociais, como principal exemplo das cobranças impostas pelas pessoas, seja em atingir um corpo ´´ideal ou em ter vivências surreais, pautadas na omissão de circunstâncias negativas e destaque das condições favoráveis. A partir disso, a saúde mental é eminentemente prejudicada, na medida em que os indivíduos ora tentam alcançar padrões e expectativas inatingíveis, frustando-se contantemente, ora desistem definitivamente e desenvolvem trantornos como depressão e hábitos como o abuso de álcool e drogas, em detrimento do autocuidado. Logo, torna-se clara a conexão da realidade manipulada das redes socias e a teoria da ´´Sociedade do Espetáculo, de Guy Debord, baseada no apelo estético e visual vigente, aludida na artificialidade dos ´´posts`` nas mídias, a qual gera práticas como automutilação e até o suicídio.

É imperativo portanto, a adoção de medidas que valorizem a importante cultura do autocuidado em prol da saúde mental. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde, criar amplas campanhas conscientizadoras, por meio de palestras em escolas, visando atingir as vítimas mais vulneráveis a questão, os jovens, de forma que se informe sobre a necessidade de se cuidar e sejam fornecidos, também pelo projeto, ajuda profissional e apoio psicológico. Ademais, é de responsabilidade das redes sociais, desenvolverem algoritmos que priorizem a divulgação de conteúdos inclusivos, em consonância com a realidade e com o bem-estar mental da população, tal como propõe o helenismo grego.