Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 06/01/2021

A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 – documento com as normas jurídicas mais importantes do país – prevê, em seu artigo 6º, o direito à saúde como fundamental a todo cidadão brasileiro. Todavia, tal prerrogativa não tem repercutido satisfatoriamente na prática, visto que o descaso com o autocuidado e a saúde mental ainda persiste ligado à realidade nacional, seja pela falta de atuação do governo, seja pela negligência das próprias pessoas.

Em primeiro plano, constata-se a não consumação das medidas governamentais  destinadas a cuidar do bem-estar psicológico da população. Um novo relatório da Organização Pan-Americana da Saúde destaca que, embora os transtornos mentais sejam responsáveis por mais de uma terço do número total de incapacidades nas Américas, os investimentos atuais na saúde pública estão muito abaixo do necessário. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “Contrato Social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos essenciais, o que é evidente no país.

Outrossim, é preciso apontar o preconceito como impulsionador da ausência de cuidado com o bem-estar mental no país. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, são raras as empresas que mantêm um programa de saúde psicológica e emocional para seus empregados, pois a maioria dos casos ainda é tratada como tabu.

Infere-se, portanto, a necessidade de se concretizar a universalização do cuidado com a saúde mental na nação brasileira. Para isso, é imprescindível que o Estado, por intermédio de investimentos, de campanhas e das mídias, melhore o atendimento na saúde pública e divulgue a importância do bem-estar psicológico, a fim de assegurar o bem-estar completo do povo brasileiro. Assim, tornar-se-á possível a consolidação de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.