Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 08/01/2021

No livro “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, a sociedade é descrita como perfeita, a qual é padronizada pela falta de defeitos e desavenças. Contudo, o que se observa na realidade vai em oposição às prerrogativas do autor, visto que a ausência de debate e a escassez de conhecimento social são aspectos que causam o não tratamento de doenças mentais e, por consequência, violam os planos de More. À vista disso, é crucial a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Convém ressaltar, a princípio, que a carência de debate mostra-se como um dos obstáculos para a resolução do problema. Nessa lógica, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Dessa forma, para que a ausência de ajuda especializada para tratar problemas mentais seja resolvida, faz-se necessário discutir sobre ela. Todavia, nota-se uma lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é bastante silenciada em vários meios, como a escola, a mídia e a própria casa do indivíduo, lugares onde o diálogo é escasso e, quando ocorre, regularmente dá-se por meio de linguagem autoritária. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo aumentaria a chance de atuação nele.

Outrossim, constata-se que a falta de conhecimento social é uma das razões pelas quais a complicação persiste. Segundo o filósofo Immanuel Kant, “pensamentos sem conteúdo são vazios e intuições sem conceitos são cegas”. De fato, embora esse pensamento não tenha sido escrito sob viés social, observa-se que a ideia liga-se à questão da carência de tratamento para saúde mental, já que o Estado, muitas vezes, não propicia atos conscientizadores, com o objetivo de educar o corpo social para resolver o contratempo e, por esse motivo, essa parcela da população continua a sofrer com o agravamento das doenças mentais e a falta de assistência médica. Destarte, é inaceitável que essa conjuntura continue a perdurar.

Portanto, ações devem ser tomadas para reverter o impasse. Desse modo, faz-se indispensável que o Ministério da Saúde, em parceria com a Prefeitura, elabore oficinas educativas, em locais públicos de grande movimento, para a população em geral, por meio de palestras de médicos, que orientem sobre como é importante tratar esses problemas o mais cedo possível para diminuir os danos. Ademais, nesses momentos, é preciso trazer para discussão a urgência de investir em tratamento psicológico gratuito e ensinar hábitos para desenvolver o autocuidado, para que haja o esclarecimento e, por consequência, o devido tratamento a esse grupo. Dessa maneira, os problemas da temática serão superados e o corpo social atingirá a utopia de More.