Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 12/01/2021

No filme “Coringa” de 2019, o protagonista Arthur Fleck encontra dificuldades para o tratamento de sua saúde mental quando a clínica que frequentava fecha devido à um corte de gastos do governo. De maneira análoga, no Brasil é evidente que existe um descaso em relação ao tratamento de doenças psíquicas e a importância da cultura do autocuidado. Desse modo, entende-se que a situação tem por causa a falta de investimentos e uma base educacional lacunar.

Em primeiro plano, cabe ressaltar que a pouca aplicação de verba perpetua a problemática. Segundo a Constituição Federal, promulgada em 1988, a saúde é garantida como direito social. No entanto, a ausência de programas relacionados à saúde da mente impossibilitam o acesso da população de baixa renda, que muitas vezes não possui dinheiro para pagar um psicólogo particular. Nesse âmbito, é inaceitável que, no século onde a depressão se mostrou como uma das enfermidades mais recorrentes, o entrave persista.

Ademais, outro empecilho é o fato do tema ser pouco debatido em salas de aula. Conforme Paulo Freire, filósofo e educador brasileiro, “Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si”. Nesse sentido, ensinar sobre o assunto em escolas é necessário, pois, infelizmente diversos jovens e adolescentes não sabem a importância de se cuidar mentalmente e, principalmente, de procurar e aceitar ajuda quando necessário.

Logo, é necessária a tomada de medidas para amenizar o problema. Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, órgão do poder executivo, o dever de promover a acessibilidade à terapia, por meio de investimentos para a criação de centros psiquiátricos públicos, com finalidade de garantir o bem-estar social. Além disso, é papel da escola promover o diálogo acerca do tema, para que os alunos tenham consciência de que o cuidado próprio é necessário. Dessa maneira, o país evitará que casos como o descrito no filme “Coringa” possam acontecer.