Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 12/01/2021
No filme “Coringa”, o protagonista Fleck é portador de transtornos mentais e faz uso de medicamentos. No longa, é retratada a forma como o Estado lida com esses problemas de saúde mental, no qual a verba é cortada e os remédios e o atendimento psicológico são suspensos. Entretanto, apesar de ser uma obra ficcional, tal situação evidenciada se assemelha ao atual contexto brasileiro, pois o debate acerca do bem-estar mental é cada vez mais frequente. Sendo assim, para que haja mudanças, é fundamental discorrer sobre as causas estatais e históricas desse problema.
Nesse contexto, um dos vetores é a ausência de protagonismo do Governo quanto a garantia do bem-estar social. Conforme o filósofo Thomas Hobbes, o Estado deve ser a instituição fundamental para regular as relações humanas. Todavia, a prática é completamente distinta da teoria, pois este é omisso no cumprimento de suas funções, já que, comparada à saúde física - que é um total descaso - a mental é ainda mais negligenciada. Com isso, problemas como o esgotamento profissional ou a pressão social de inclusão dos meios midiáticos - que são reais e recorrentes - podem afetar diretamente a sanidade mental de indivíduos tão vulneráveis psicologicamente.
Ademais, outro condutor dessa mazela recai sobre a ignorância arcaica a respeito dos distúrbios psicológicos. Durante a Idade Média, doenças mentais eram vistas como punição divina e aqueles que sofriam com elas estariam possuídos pelo demônio, e poderiam ser queimadas ou presas em manicômios e amarradas com correntes. Assim sendo, ao se fitar a realidade do século XXI, nota-se um enredo semelhante: o preconceito e a classificação do tema como tabu. Desse modo, os transtornos são relacionados à loucura, sendo desvinculados ao bem-estar social, o que reflete, diretamente, na qualidade de vida dos indivíduos.
Depreeende-se, portanto, que medidas devem ser adotadas para a efetiva diminuição de doenças mentais no País. Para isso, o Ministério da Saúde deve disponibilizar tratamentos públicos e desburocratizados, por meio de novos postos de atendimento específico, para que mais indivíduos tenham acesso e êxito em suas recuperações. Por sua vez, o Ministério da Educação, órgão responsável pela formação educacional e profissional de crianças e jovens, deve ensinar seus alunos a respeito dos conceitos que envolvem a sanidade mental, assim como a seriedade desse assunto, além de alertar sobre a psicofobia - preconceito contra vítimas de transtornos mentais - por intermédio de palestras ministradas por médicos e psicólogos, com o fito de esclarecer sobre as causas e consequências dessas enfermidades psíquicas. Feito isso, o Brasil vencerá as barreiras enraizadas desde a Idade Média contra a prática do autocuidado.