Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 12/01/2021
A discussão sobre o aumento nos casos de doenças mentais, tornou-se mais comum em todo o mundo. Essa fato é reflexo do crescente número de autodestruição entre os adolescentes, nesse sentido, segundo a Organização Pan americana de Saúde, o suicídio representa a terceira causa de morte, no Brasil, entre os jovens com idade entre 15 e 19 anos. Desse modo, fica evidente que fatores como o precário sistema educacional, como também o posicionamento do Estado têm contribuído para esse cenário.
A princípio, nota-se que o modelo educacional brasileiro é conteudista, destarte, mecanizado. Essa forma de ensino, segundo o educador Paulo Freire, estimula apenas a competitividade entre os estudantes. Dessa forma, o conceito de cidadania e participação social deixa a desejar na formação educacional dos jovens brasileiros, os quais, ausentes de uma educação que estimule o pensamento crítico, acabam a tentar construir um modelo de vida social, muitas vezes, imposto pelas mídias de massa que, segundo o sociólogo Adorno, é utópico diante da realidade humana. Por conseguinte, muitos adolescentes não tendo capacidade psicológica para combater esse tipo de frustação acabam desenvolvendo depressão ou, até mesmo, cometendo suicídio.
Em segundo plano, o posicionamento do Estado também cumpre papel relevante para o aumento nos casos de depressão entre os jovens, pois, apesar de haver na Constituição Federal, de 1988, o direito à saúde, não existe projetos sociais, como campanhas educativas e unidades de saúde especializadas na prevenção de doenças psicológicas, como a depressão e a ansiedade, por exemplo. Assim, pessoas com distúrbios mentais encontram muitas dificuldades para iniciar o tratamento, tendo em vista que o modelo de saúde pública brasileira tem uma postura mais corretiva, dessa forma, muitas vezes, o tratamento ocorre de forma tardia, a deixar, assim, sequelas irredutíveis.
Fica evidente, destarte, a necessidade que indivíduos e instituições públicas cooperem para mitigar o aumento de doenças mentais no país. Para isso, o Ministério da Educação deverá junto às escolas, desenvolver projetos educacionais nos ensinos infantil e médio, como a semana da prevenção ao suicídio, com estudo de casos e peças teatrais que possam conscientizar os jovens sobre o respeito que pessoas portadoras dessas patologias devem receber, salientando a importância da prevenção para o tratamento dessas moléstias, como também o Ministério da Saúde deverá desenvolver campanhas educativas nas mídias de massa com intuito de educar a população sobre os perigos que as doenças mentais podem trazer para a sociedade.