Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 14/01/2021
No filme “Comer, rezar e amar”, a personagem principal modifica toda a sua vida em prol da busca pela felicidade. Durante sua jornada, ela descobriu que o autocuidado é essencial para alcançar a plena saúde mental. Todavia, fora da ficção, a maioria das pessoas não valorizam o “cuidar de si”, o que acarreta no adoecimento da psique humana. Diante disso, cabe analisar a falta de tempo e as imposições externas como motivadores da ausência desse mecanismo homeostático.
Em primeiro lugar, observa-se que a quase inexistência de um corpo e mente saudáveis revela a ineficiência da prática do autocuidado. Isso ocorre devido à rotina frenética imposta pela “Modernidade Líquida” definida pelo sociólogo Zygmunt Bauman. Segundo ele, a instabilidade contemporânea exige dos indivíduos um maior investimento social e acadêmico para se inserir na sociedade. Sob esse viés, a falta de exercícios físicos, ausência de tempo para o zelo do equilíbrio psíquico e desvalorização do lazer afetam a saúde mental, uma vez que não há tempo para o autocuidado, apenas preocupações individuais e pressões sociais. Portanto, evidencia-se que a sociedade moderna deve observar a mensagem do filme de forma catártica, a fim de, assim como a personagem, garantir sua felicidade.
Ademais, interessa, ainda, frisar que a frustação individual em relação ao exterior também afeta a saúde mental. Isso acontece em virtude da imposição de padrões de beleza pela mídia, os quais, na maioria das vezes, é utópico. Nessa perspectiva, patologias, como depressão e ansiedade, tornam-se mais frequentes, uma vez que a associação entre esteriótipos e falta de autocuidado promove uma crise identitária, bem como uma baixa autoestima, o que desequilibra a psique de forma acentuada. Com isso, nota-se que essa dinâmica pode ser considerada como um “fato social” do sociólogo Émilie Durkheim, já que é um mecanismo externo e coercitivo, o que influencia o modo de pensar e agir.
Fica claro, desse modo, que tanto a rotina frenética quanto a coercitividade dos padrões exteriores são gargalos do autocuidado, o que afeta a saúde mental. Para reverter esse quadro, urge que o Ministério da Saúde combata o adoecimento físico e mental, por meio do fornecimento de subsídios para empresas que introduzam práticas físicas para os funciónarios durante o expediente e da amplianção de psicólogos em postos de saúde e intituições de ensino. Essa medida tem o intuito de introduzir práticas do “cuidar de si” e, assim, minimizar as mazelas de uma rotina frenética. Além disso, é imprescindível que a Mídia atue na superação dos padões de beleza, por intermédio de conteúdos publicitários com modelos de diversos tipos e criação de programas que valorizem o diferente, como novelas e séries televisivas. Essa proposta objetiva minimizar as doenças mentais causadas pela frustação. Dessa forma, vislumbrar-se-á a felicidade plena como a encontrada na trama.