Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 15/01/2021

Na série estadunidense “Thirteen Reason Why”, produzida pela Netflix, é contada a história de Hannah Baker, jovem que após passar por uma série de conflitos em sua esfera escolar, enxerga no suicídio a melhor alternativa para sanar sua dor. Nesse sentido, é mister a discussão sobre a saúde mental e a importância do autocuidado no Brasil. Visto isso, é válido pontuar os avanços que podem ser alcançados, socialmente, pela difusão das práticas de valoração à vida bem como o enfrentamento dos padrões sociais, pautados na depreciação e segregação de algumas pessoas.

Primeiramente, é notório ressaltar a importância que possui o enfrentamento aos padrões comportamentais e estéticos vigentes no país, visto que quando um indivíduo vê-se fora dele, é posto a margem do descaso em detrimento da perpetuação do arquétipo socialmente aceito. Nesse contexto, fica evidente que a propagação da cultura do autocuidado é uma questão de saúde pública, uma vez que notadamente a falta de encaixe aos moldes é responsável por milhares de suicídios no País, prova disso é que segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 12 mil brasileiros tiram, anualmente, sua vidas no brasil. Dado isso, as preferências consideradas mais belas ou valiosas figuram entre as principais causas não só do suicídio, mas também, da depressão, por exemplo.

Outrossim, outro importante fator corroborado pela democratização da cultura de incentivo à saúde mental, é a elevação da autoestima das pessoas fora dos estereótipos sociais. Como consequência disso, a autoaceitação passa a fazer parte do cotidiano dessas criaturas, garantindo-lhes a quebra de barreiras socialmente impostas, usando como arma de combate aos preconceituosos a autovalorização. Desse modo, parafraseando o filósofo alemão A. Schopenhauer, o conhecimento de um indivíduo sobre determinado assunto delimita o seu entendimento a respeito dele. Dessa forma, fica claro que é necessária uma ruptura aos padrões, proporcionando esclarecimento aos seres que segregam e paz aos segregados.

Infere-se, em resumo, que muitos são os benefícios possibilitados pela ampliação do incentivo a valorização da saúde mental e da cultura do autocuidado no Brasil. Dessa maneira, cabe ao governo, em conjunto com o Ministério da saúde, a criação de um núcleo de atendimentos psicológicos e psiquiátricos gratuitos, que funcionem dentro das UBS (Unidades Básicas de Saúde), visando alcançar toda a população periférica, para assim, democratizar o embate aos distúrbios mentais, garantindo que a cultura de valorização do ser bem como a saúde mental, sejam prioridade. Ademais, confronte os óbices causados pela ausência de assistência, estabelecendo uma nova dinâmica aos padrões socialmente aceitos, pautando-os no respeito as diferenças e  extinguindo casos como os de Hannah.