Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 15/01/2021

Charles Rosenberg, historiador da medicina e professor na universidade de Harvad, defende a tese de cada doença é um fenômeno biocultural: manifesta-se no organismo, mas reflete as condições de vida de um dado grupo social. Sob tal premissa, deve ser entendido os fatos que impedem os indivíduos de terem uma cultura de autocuidado, provocando problemas em sua saúde mental. A partir disso, faz-se pertinente analisar como a necessidade de integração aos grupos sociais e a busca pela perfeição corroboram esse paronama de decadência da saúde mental.

Em primeira instância, cabe reconhecer como propulsor desse quadro a necessidade que o indivíduo tem de pertencer a um grupo social. Nesse contexto, ganha relevância o pensamento do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, segundo o qual há uma crescente indiviualidade, alimentada pela oferta de produtos a escolha do consumidor, legando ao sujeito um paradoxo: a liberdade de escolha e a superficial integração aos grupos sociais. Assim, quando o sujeito não consegue obter tal produto, pois entende que somente com esse consumismo se sentirá satisfeito e pertencente a um grupo social, ele se exclui da sociedade e com esse sentimento de solidão contrai doenças pscicológicas como a depressão ou comete suícidio por não encontrar um grupo que possa pertencer.

Outrossim, destaca-se a influência da busca pela perfeição, alimentada pela mídia que consntantemente expôe conteúdos de como deve ser o corpo humano perfeito ou com as propagandas de cosméticos mostrando como deve ser o cabelo perfeito: sem friz, sem nenhum ressecamento e bem brilhoso. Sobre esse aspecto, cabe ressaltar o pensamento do filósofo grego Platão, especificamente quanto ao seu conceito de “Simulacro”, para o estudioso, a sociedade busca reproduzir formas que considera perfeitas, mas que são inacessíveis ao humano, construindo uma busca inesgotável para atingir a perfeição. Sob tal parâmetro, mostra-se claro que quando o jovem almeja a perfeição que a mídia junto com as redes socias impôe dizendo ser a única forma de ser feliz, ele acaba caindo em um circúlo de buscas inacessíveis e que fazem com que a autoestima permaneça baixa.

Diante de tal cenário, é imprescindível que medidas sejam executadas visando à atenuação do problema. Para tanto, pais e professores devem encucar desde a infância do indivíduo, que o ser humano pode sim viver em grupos sociais que o aceitem como ele é, fazendo com que entendam que não é preciso consumir produtos só para não se sentirem excluídos. Ademais, cabe ao próprio indivíduo ter uma rotina de autocuidado, com vistas a valorizar sua própria companhia, tirar um tempo para exautar suas qualidades, e acima de tudo aceitar-se como é, e não como a mídia impôe. Com tais ações, será possível um Brasil com a saúde mental e o autocuidado em dia.