Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 15/01/2021

“O óbvio é a verdade que ninguém quer ver”. Na ótica de Clarice Lispector, a saúde mental ainda é negligenciada e a cultura do autocuidado é desprezada, uma vez que a cobrança excessiva do indivíduo e, sobretudo, da sociedade pela produtividade e rendimento só amplifica mais essa mazela, assim, esquece o zelo necessário com sua saúde. Ora, uma imagem de omissão e, por tabela, desleixo que apadrinha o futuro.

Essa assertiva deriva, em especial, do papel apático da coletividade nessa área. De acordo com o filme “Coringa”, “A pior parte de você ter uma doença mental é que os indivíduos esperam que você se comporte como se não a tivesse”. Sob esse viés, a ficção revela que tal esfera exige uma atenção e cuidado especial, na qual o personagem principal pena com o descaso do olhar coletivo com as questões sociais como a ausência de empatia e, por extensão, o preconceito, com isso o indivíduo que padece com essa agrura recorre aos sintomas psiquíatricos. Logo, mostra-se uma sociedade ineficiente nessas conjunturas.

Por sua vez, outro vetor é a pífia ação do Poder Público nessa temática. Nessa perspectiva, a Constituição Federal de 1988 garante a todos os indivíduos o bem-estar físico, mental e social, em contrapartida, o Estado não efetiva tal princípio, uma vez que o aumento das desigualdades sociais e, por tabela, do desemprego são fatores que corroboram para a esfera da saúde mental e do autocuidado, pois o olhar coletivo preza pela feracidade e, sobretudo, rendimento, o que não é fornecido pelos gestores públicos, assim, gera a dificuldade de lidar com as frustações. Desse modo, é fulcral que o Governo reformule sua atuação, com o fito de haver melhorias.

Infere-se, portanto, que nessa problemática, a coletividade deve tonificar a tarefa de discussão acerca dessa temática, por meio de palestras educativas e documentários inseridos nessa causa, a fim de fomentar a consciência coletiva. Ademais, o Estado precisa promover uma conscientização em todos os âmbitos, por intermédio de propagandas instrutivas e, por extensão, debates públicos sobre esse assunto, com o intuito de diminuir a pressão psicológica e, sobretudo, propocionar o verdadeiro autocuidado. Dessa maneira, para que a citação de Clarice deixe de ser uma realidade brasileira.