Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 15/01/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 5º, o direito à saúde como inerente a todo brasileiro. Entretanto, no limiar do século XXI, observa-se, através das mídias, que o Brasil enfrenta uma crise relacionada à saúde mental da população. Nesse contexto, nota-se que tanto a influência negativa da mídia, quanto a desinformação constituem os principais empecilhos da problemática.

Em primeiro lugar, é evidente que a saúde mental é tratada como tabu na sociedade brasileira e é pouco discutida. Desse modo, muitos necessitados não procuram ajuda especializada, seja por falta de informação ou vergonha de contar para a família. Segundo a Organização Mundial da Saúde, “Saúde é o estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente a ausência de doença”. No entanto, patologias como ansiedade e depressão não são tratadas com a devida importância pelo governo brasileiro, uma vez que sua falta de mobilização permitiu o agravamento do número de casos.

Ademais, é importante destacar que o surgimento da internet, bem como o uso excessivo das redes socias corroboram o problema. Apesar dessa tecnologia ser muito útil para a comunicação, o seu uso pode afetar negativamente o emocional dos usuários, já que, nas redes sociais, há simulação de uma vida perfeita, marcada pela suposta associação entre poder de compra, corpos esteticamente padronizados e felicidade, na qual há necessidade de ser notado e aceito pelos demais. Esse desejo de aprovação é demonstrado pelo número de likes e seguidores, fazendo com que ocorra um comportamento compulsivo e extremamente competitivo. Isso posto, a pressão social em demonstrar a vida intermitentemente feliz e interessante estimula e intensifica transtornos mentais.

Portanto, atitudes precisam ser tomadas para se combater o avanço das doenças mentais no Brasil. Para isso, o Estado deve, por intermédio do Legislativo, criar o programa Mente Saudável, com o intuito de contratar mais psicólogos, por meio do aumento do orçamento do Ministério da Educação, a fim de atender os alunos de escolas públicas e privadas de nível fundamental, médio e superior. Assim, os profissionais contratados ministrarão, mensalmente, palestras informativas para a comunidade estudantil e público geral, além de ofertar consultas gratuitas para os estudantes, realizadas ne maneira presencial ou remota, integrando também os cidadãos que moram em áreas remotas. Logo, consolidar-se-á uma sociedade mais saudável, tal como apontado no artigo 5º da Constituição, tendo em vista que a população terá maior apoio governamental.