Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 18/01/2021
A Constituição Federal, promulgada em 1988, assegura aos brasileiros e estrangeiros residentes no país garantias fundamentais, dentre elas o direito à saúde. No entanto, no que concerne ao bem-estar mental, nota-se que as normas presentes na Carta Magna não são eficientes, visto que a Organização Mundial de Saúde afirma que a taxa de suicídio, no Brasil, aumentou em 20% em 2020. Esse cenário ocorre devido a uma ausência de debate em conjunto com a falta de autocuidado. Logo, faz-se necessário analisar o estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira. Em primeiro lugar, é fato que o silenciamento contribui para a existência da questão. Segundo Paulo Bevilaqua, psicólogo especialista em análise comportamental, falar sobre os problemas é o primeiro passo na obtenção de um bom equilíbrio mental. Contudo, há um preconceito instaurado na sociedade que dita transtornos psicológicos como sinônimo de preguiça, uma vez que a população acredita que estar doente é apresentar sintomas físicos. Dessa forma, o indivíduo prefere calar-se devido o medo de ser rotulado negativamente e, com isso, sua saúde mental deteriora gradativamente ao ponto de exterminar sua própria vida na tentativa de livrar-se do mal que o acomete. De acordo com dados divulgados em 2019 pela revista Veja, 78% dos entrevistados relataram não conversar com seus amigos e familiares a respeito de seus problemas psicológicos por receio de serem mal interpretados. Assim, gera-se cada vez mais um país doente. Ademais, a falta de autocuidado corrobora para permanência do problema. No filme brasileiro “De pernas pro ar”, a personagem Alice é uma empresária portadora de ansiedade crônica, entretanto, recusa-se buscar tratamento para que seus amigos não pensem que ela é uma fracassada. De forma análoga, vive-se um período em que nas redes sociais há compartilhamentos de momentos inéditos e de uma sociedade extremamente feliz, porém, na realidade, está depressiva e ansiosa e usa de suas publicações para obter o sentimento de alegria ao invés de procurar ajuda profissional por medo de serem criticados. Consoante pesquisa apresentada em 2020 pela revista Exame, 45% da população admite não querer ir a um psicólogo ou psiquiatra. Desse modo, o preconceito cresce em conjunto com as taxas de doentes mentais. Portanto, é imprescindível que o Estado tome providências para mitigar o quadro atual. Com o intuito de amenizar o estigma associado às doenças mentais, faz-se necessário que o Ministério da Saúde insira, por meio de verbas públicas, campanhas informativas nas redes sociais que estimulem o público a conversar uns com os outros a respeito de suas enfermidades e desmistificar o preconceito envolto na busca por ajuda. Somente assim, os direitos previstos na Constituição Federal serão, de fato, assegurados.