Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 18/01/2021

O filme “Por Lugares Incríveis” demonstra como uma uma moça, com apoio do namorado, tenta superar o trauma da perda da irmã e, ao fim do longa, inesperadamente, o garoto comete suicídio. Fora do âmbito ficcional, histórias como a do casal, na qual ambos tentavam preservar a saúde mental, se fazem cada vez mais presentes no país, fortificadas pelo estigma associado às doenças mentais pela população brasileira. Esse contexto, incentivado pela propagação de uma “vida perfeita” nos recursos midiáticos, faz com que tais situações, comuns na realidade, sejam tratadas com preconceito e decaso pela população.

A princípio, é necessário destacar o que sustenta tal estigma. Embora exista muito conhecimento acerca da saúde mental e a importância do autocuidado, muitos preferem não aparentar problemas. Assim, consoante ao pensamento de Guy Debord, a mídia e as redes sociais sustentam uma “Sociedade de Espetáculo”, marcada pela demonstração de padrões de vida inatingíveis. Isso posto, ao entrar em contato com algo diferente de sua realidade, o indivíduo se vê com doenças mentais, como ansiedade, depressão e crise do pânico. Dessa forma, de modo inaceitável para uma nação em desenvolvimento, como o Brasil, o país torna-se doente.

Ademais, é preciso entender como preconceito acerca dos problemas de saúde mental influencia na vida do indivíduo. Em uma sociedade marcada por valores tradicionais, temas como o cuidado emocional são negligenciados e, dessa forma, são taxados como “frescura”. Sob esse viés, e indo ao encontro da teoria do sociólogo Durkheim, como um fato social, a sociedade impõe tal preconceito a seus pertences, prejudicando diagnósticos e tratamentos que podem ser capazes de salvar vidas. Dessa maneira, enquanto o silêncio da população se fizer presente, a saúde mental estará em jogo no país.

Destarte, é notório que a conjuntura acerca do estigma associado às doenças mentais torna-se uma realidade a ser mudada. Cabe, portanto, ao governo federal, por intermédio do Ministério da Educação, incluir campanhas, projetos e matérias relacionados à saúde mental à Base Nacional Curricular Comum. Esses eventos, que ocorrerão por meio de palestras e pela disponibilização de psicólogos e profissionais da área, serão responsáveis por atender a população informação, de forma a conscienteizá-la e assisti-la. Com essas medidas, será possível formar um território livre do estigma que tanto o prejudica.