Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 18/01/2021
Segundo a Lei da Inércia, de Newton, um corpo tende a permanecer parado quando nenhuma força é exercida sobre ele. Saindo da física, é possível relacionar a inercia da lei no que concerne os estigmas associados a doenças mentais, que tem como agravantes a lenta mudança no pensamento social e a má influência midiática.
Em primeira instancia, a mentalidade da sociedade é algo que fomenta a problemática. No holocausto barbacenense, milhares de pessoas morreram nos hospitais psiquiátrico, sofreram maus tratos e foram abandonados até o fim de suas vidas; assim, o legado histórico acerca das doenças mentais é um estigma que assusta a população, impedindo-a de procurar ajuda, seja por medo, seja por vergonha. Como consequência, 11,5 milhões de brasileiros têm depressão, segundo a OMS, número elevado que aumenta ainda mais a problemática.
Outrossim, a má influência midiática é um agravante do problema. Assim como diz Pierre Bourdieu, o que foi criado como instrumento de democracia não deve ser convertido em instrumento de opressão. Dessa forma, a mídia, ao invés de promover debates acerca da solução do problema, acaba contribuindo para o aumento dele ao exibir nas grandes mídias filmes que tem finais felizes, ou até mesmo em “reality show” apenas aparecer mulheres e homens sarados; padrão bem diferente do que é normal, levando assim o individuo a frustração.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. O Ministério da Saúde, em parceria com psiquiatras e psicólogos devem promover atendimento, através do SUS, em postos de saúde para que todos tenham acesso; além disso, ONGS especializadas devem promover campanhas nas redes sociais promovendo debates e mostrando que é normal não estar bem. Somente assim é possível resolver o problema dos estigmas das doenças mentais e sair da inercia da lei de Newton.