Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 18/01/2021

A Carta Constitucional de 1988 assegura à saúde e o bem-estar social como um direito fundamental a todo cidadão. No entanto, nota-se que não há o exercício pleno dessa garantia, uma vez que o impasse acerca  das doenças mentais é um problema enfrentado pela sociedade. Além disso, esse cenário mantém-se no Brasil pelo descaso das autoridades e também em razão da omissão midiática.

Diante disso, é relevante abordar que a ausência de amparo estatal coopera para a consolidação da problemática. Sob essa ótica, o escritor Gilberto Dimenstein disserta a respeito da inefetividade dos direitos constitucionais, posto que esses estão presentes apenas na teoria. Nessa lógica, o Poder Público falha no que refere-se a um lapso na infraestrutura do sistema público de saúde, em questão da escassez de tratamentos e acolhimento psicológico de qualidade nas instituições responsáveis. Sendo assim, pactua com o quadro vigente e reforça a tese do escritor, pois as cidadania estabelecidas na Constituição não são executadas.

Ademais, ressalta-se que a mídia ao não abordar sobre o tema colabora para a persistência dessa conjuntura. Dessa maneira, de acordo com os sociólogos da Escola de Frankfurt, alguns veículos de comunicação têm contribuído para a formação de uma sociedade com baixa capacidade reflexiva. Nesse sentido, a desinformação sobre a temática da saúde mental e suas implicações mantém os cidadãos em uma visão individualista, na qual minimizam o transtorno mental sofrido por alguns indivíduos. Logo, a realidade torna a teoria dos sociólogos atemporal, porque a mídia ao não propagar campanhas sociais sobre o tema faz com que os indivíduos não se conscientize.

Portanto, é imprescindível mudanças para a construção de uma sociedade harmônica. Desse modo, cabe ao Estado, órgão responsável por manter a ordem social, designar verbas para os tratamentos psicológicos, como também estabelecer campanhas socioeducativas a respeito da importância da atenção a saúde mental, por meio da mídia, principal difusora de informação. Com isso, o objetivo de construir uma sociedade empática e garantir uma cidadania plena a todos, assim, o proposto pela Carta Magna brasileira será executado com êxito.