Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 18/01/2021

De acordo com a Constituição Federal de 1988, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, sendo garantido a todo o cidadão a inviolabilidade do direito à saúde, à igualdade e à liberdade. Todavia, quase 33 anos após a promulgação dessa importante norma jurídica, depreende -se a presença do preconceito sobre saúde mental em transitoriedade na sociedade brasileira, haja vista as problemáticas de caráter nocivo que impulsionam o fenômeno, tal qual as influências externas do cotidiano sobre a vida do cidadão, e também o tabú arraigado no tecido social sobre transtornos mentais.

Em primeira análise, é lícito postular que no ano de 1929, com o advento da queda da Bolsa de Valores de Nova York, instaurou-se no país uma instabilidade financeira, o que proporcionou um aumento nos casos de depressão e suicídio por parte da população. Nesse sentido, de maneira análoga, à realidade brasileira, é fato que o ambiente vivido pelo indivíduo reflete na saúde mental, o que pode atrapalhar a interação social e a busca pela ajuda psicológica.

Por conseguinte consoante o filósofo Zygmunt Bauman vivemos em um período em que as relações sociais são fluidas e inconstantes. Nessa conjuntura nota-se um preconceito sobre a saúde mental dos indivíduos associando a mesma com doenças psicológicas. Ademais, a sociedade hodierna padroniza corpos e estipula ideais perfeitos que não são a realidade de todos, esse padrão corporal é um preconceito conhecido como " capacitismo “, e pode influenciar ainda mais os transtornos mentais vividos pelo cidadão.

Infere-se, portanto, que o estigma associado a doenças mentais é um complexo desafio no país. Dessa forma, o Governo Federal - instância máxima de administração executiva- deve destinar parte dos seus recursos financeiros para a elaboração de campanhas lúdicas e explicativas sobre a saúde mental dos indivíduos, isso poderá ser realizado por meio de merchandising social nas mídias, com intuito de mitigar o preconceito em transitoriedade na nação e aconselhar a população sobre como recorrer a ajuda. Somente assim, paulatinamente, atenuar-se-á, em médio e longo prazo o estigma sobre doença mental, como também os direitos apregoados pela Carta Magna serão devidamente cumpridos.