Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 18/01/2021

Na canção “Manual do Suicídio”, o cantor e compositor brasileiro Kamaitachi põe em voga, dentre outras coisas, o preconceito ante os psicoenfermos. Esse cenário relatado por ele, no Brasil, tem mostrado ser um problema: o estigma atrelado às doenças mentais. Destarte, o despreparo da saúde pública para lidar com essas pessoas e a consequente segregação delas do corpo social são questões a serem analisadas.

Primeiramente, afirma-se que o arcabouço da saúde nacional não ampara plenamente os dentes mentais. Isso foi ilustrado no longa-metragem brasileiro “Bacurau” – ficção com forte alicerce nas condições reais do país ¬-, na medida em que uma jovem, alegando sintomas de depressão, é diagnosticada pela saúde pública do local com “ressaca”. Assim, ao serem subjulgadas pelo único meio de legitimar essas doenças, a saúde, elas, aos olhos dos outros indivíduos, perdem sua validade, o que intensifica o preconceito inerentes às doenças mentais.

Por conseguinte, à medida que o despreparo da saúde brasileira acentua esse preconceito – negligenciando a legitimidade das doenças mentais -, os psicoenfermos são, cada vez mais, marginalizados do corpo social. Tal segregação acontece mediante a “Violência Simbólica”, teoria do francês Pierre Bordieu que pressupõe a existência de uma força social intangível que, na presença de preconceitos, “violenta” uma parte da população. Esse ato se manifesta, no âmbito do estigma relacionado às doenças mentais, na exclusão dos psicoenfermos do meio social, de modo a agravar, pois, tanto o estigma diante das doenças mentais, quanto o quadro desses pacientes, o que urge maior intervenção.

Portanto, sendo o Ministério da Saúde o órgão governamental responsável pela saúde do Brasil, compete-lhe o dever de, em parceria com as Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), conscientizar toda a seara médica acerca das doenças mentais, por meio da criação de uma disciplina psiquiátrica básica obrigatória e da emissão campanhas acerca da existência de estigmas perante as doenças mentais. Espera-se, com isso, evitar não só o descaso médico com os psicoenfermos, mas também a exclusão deles da sociedade brasileira, de maneira a distanciar uma nova realidade do “Manual do Suicídio” de Kamaitachi.