Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 17/09/2021
A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) , promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1948, apresenta direitos universais e inalienáveis, como o direito à saúde. Entretanto, no Brasil, é notório que o cuidado com a saúde mental dos cidadãos é negligenciado, impedindo, assim, a universalização desse direito e a efetivação do bem-estar social, inclusive no que tange ao autocuidado dos indivíduos. Isso se deve, sobretudo, à morosidade estatal e à banalização do cuidado com a saúde psíquica. Desse modo, é indubitável que medidas são necessárias para a resolução dessa adversidade.
Sob esse viés, é fundamental salientar que a ineficiência do Poder Público é um fator determinante para a permanência e o crescimento dessa problemática. Nesse sentido, o amparo aos cidadãos com a realização de medidas profiláticas e o livre acesso a tratamentos de transtornos mentais é condição ‘‘sine qua non’’ para a garantia do direito à saúde, preceituado no artigo 6° da Constituição Federal de 1988. Entretanto, na prática, apesar de já axistirem locais que realizam o acompanhamento clínico e auxiliam na reinserção social do indivíduo, denominados de Centro de Atenção Psicosocial (CAPS), a quantidade e a distribuição desses centros não são suficientes para suprir a necessidade do país. Logo, tal cenário vai de encontro à máxima do filósofo contratualista Jean-Jaques Rousseau, a qual afirma que o Estado tem a função de assegurar o bem-estar social dos cidadãos.
Ademais, é válido ressaltar que o autocuidado do indivíduo é de suma importância para a construção de uma boa saúde mental, assim como um psíquico saudável é imprescindível para o estabelecimento da cultura do autocuidado, evidenciando tais fatores como dependentes. Diante disso, segundo a filósofa Hannah Arent, em sua obra ‘‘A Banalidade do Mal’’, o pior mal é aquele que é visto como corriqueiro, destacando que a sociedade transforma o mal em algo comum, o que pode ser visto, na contemporaneidade, na prática da banalização do cuidado consigo mesmo, em que o indivíduo não vê com seriedade a questão da imprescindibilidade de uma boa saúde mental e, dessa maneira, negligencia o seu bem-estar. Dessa forma, a sociedade segue adoencendo e se privando de uma boa qualidade de vida.
Portanto, faz-se mister que o Ministério da Saúde amplie a distribuição e a capacidade de atendimento dos CAPS em todo o território nacional, por meio de mais investimentos financeiros, com o fito de promover o bem de todos e destacar a importância do cuidado com a saúde mental e, assim, garantir o que está preceituado na DUDH. Outrossim, a sociedade deve assumir uma postura crítica no que tange a saúde mental, a fim de romper a cultura da banalização dessa temática.