Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 17/09/2021

A Constituição Federal, norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro, assegura aos cidadãos o direito à saúde, não só físico, mas também mental. Todavia, o que se observa na conjuntura atual é, ainda, um descaso, tanto do governo, quanto dos indivíduos, subestimando a importância de existir uma cultura de autocuidado. Esse fato é percebido, ora na estigmatização das doenças mentais, ora na existência de uma frágil rede de apoio.

Em verdade, as doenças que envolvem os campos da mente, que não são visíveis em exames laboratoriais, são, na maioria das vezes, minimizadas, não ganhando a real relevância que merecem. Nessa perspectiva, na série produzida pela Netflix,“Thirtheen Reasons Why”, é possível analisar o quanto a depressão, caracterizada como doença mental, é tida como irrelevante e como ela pode não ser percebida, até mesmo do olhar atento dos pais e amigos. Dessa maneira, tal fato fica explícito, quando Hanna, protagonista da produção, ao ser alvo de ataques psicológicos e físicos, entra em um estado depressivo, e decidindo buscar ajuda do psicológo da escola, vivencia uma sessão questionadora, e não acolhedora, o que a leva a cometer suicídio. Da mesma forma, fora da ficção, as enfermidades psíquicas, são alvos de preconceito, tidas como mentirosas, bem como maneiras de chamar atenção, o que isola o indivíduo vítima da doença, provocando ainda mais seu estado de solidão e incerteza na vida, tornando o estímulo de se amar e de se cuidar ações essenciais no cotidiano.

Outrossim, é notório o quanto a sociedade e as instituições estão despreparadas para apoiar as pessoas acometidas por essas doenças, corroborando a problemática. Sob esse viés, no livro “Diário do Hospício, o cemitério dos vivos”, do escritor brasileiro Lima Barreto, é exposto as impressões do autor sobre a exclusão, a desumanização e a marginalização sofrida pelos indivíduos que estavam em tratamento no hospício no qual ele estava internado, fato sistematizado atualmente, reflexo da falta de informação dos agentes sociais. Assim, para que haja uma cultura de autocuidado, é imprescindível tratar sobre o tema, formando redes que apoiem as pessoas vítimas dessas enfermidades.

Destarte, com o intuito de mitigar os entraves supracitados, é mister que as instituições educativas, centros de formação do senso crítico e da sociabilização, incentivem a discussão sobre quais são as doenças mentais e como agir para ajudar à si mesmo e aos demais, por meio de rodas de conversas e da inserção, nas aulas, de filmes, de músicas e de livros em que o tema é tratado, a fim de atenuar o estigma que existe sobre essas enfermidades. Ademais, é impreterível que o Governo invista em campanhas informacionais, além de expandir o atendimento psicológico gratuito para a população, com o fito de fortalecer a ideia de autocuidado e as redes de apoio já existentes.