Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 17/09/2021

A OMS declara que saúde é o completo estado de bem-estar social, físico e mental e não apenas a ausência de doenças. Tendo em vista essa conceituação, percebe-se que a sociedade brasileira está enferma, visto que a saúde mental e a cultura do autocuidado, encontram-se subjugadas ao último plano na vida dos brasileiros. Reflexo, sobretudo, de uma coletividade extremamente competitiva, bem como de um forte e enraizado preconceito, é imprescindivel que a saúde psicológica e o autocuidado recebam lugar de destaque, visando a plena saúde do corpo social do Brasil.

Frente a essa realidade, perceber que a competitividade do mundo hodierno é uma das causas basilares para o secundarismo do cuidado para com si mesmo e surgimento de diversos problemas relacionados à saúde mental é fundamental. De fato, o país encontra-se, segundo o sociólogo francês, Émile Durkheim, inserido em uma sociedade pós-moderna, na qual a concorrência entre os indivíduos é pautada na busca de uma perfeição inalcançável, o que gera nos brasileiros, uma cobrança excessiva pela excelência - caminho que, inúmeras vezes, deixa a desejar no tocante ao indivíduo em si, suas necessidades, medos e anseios -  que ao não ser alcançada, gera frustração e pertubações no estado da saúde mental do povo brasileiro. Prova disso é o dado da BBC News, o qual aponta que aproximadamente 55% dos brasileiros tiveram seu bem-estra mental reduzido durante o último ano.

Ademais, o preconceito enraizado no Brasil contra a cultura do autocuidado, acaba por agravar ainda mais a situação. Realmente, muitas pessoas evitam buscar ajuda, pois ao fazerem, são, frequentemente, taxados como loucos, problemáticos e anormais, dado que, na sociedade brasileira, é preferível conquistar o que o mundo capitalista e globalizado dita como meta mesmo que isso signifique apenas aparentar estar bem a estar atento as próprias  necessidades e desenvolver hábitos de bem-estar. Como evidência desse preconceito e desvalorização, estão os baixos salários ofertados aos profissionais da saúde que lidam com a psique - psicólogos, psicanalistas e psiquiatras - peças fundamentais no “processo de tratamento do Brasil”.

Faz-se necessário, portanto, que medidas sejam tomadas visando alavancar a importância do cuidado com a saúde mental a partir da cultura do autocuidado. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Saúde ofertar, com aumento do piso salarial, mais profissionais da saúde especializados em psicologia, psicanálise e psiquiatria nas escolas e postinhos de saúde, bem como incentivar a procura dos mesmos por meio de campanhas mensais que visem incutir a importância da cultura do autocuidado e quebrar o preconceito, a fim de se obter uma sociedade saudável, com indivíduos capazes de se preocupar consigo mesmo e com os outros.