Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 17/09/2021
Promulgada em 1988, a Constituição Federal estabelece, como garantia cidadã, o direito à saúde. Todavia, é notório que esse a aplicação desse preceito jurídico não é satisfatória no que tange ao bem-estar mental, uma vez que hábitos que configurem a importância da cultura do autocuidado e medidas que busquem o tratamento psicológico são escassas na dinâmica social brasileira. Nesse sentido, o fator da vigência do modelo frenético de vida da pós-modernidade pode gerar, como consequência, o grave acometimento de patologias psíquicas.
Com efeito, é relevante pontuar a preponderância do aspecto imediatista da sociedade no século XXI. Sob esse âmbito, Byung-Chul Han, filósofo sul-coreano, aponta, no livro “Sociedade do cansaço”, que o excesso da elevação do desempenho leva ao infarto da alma. Nessa perspectiva, as pressões implícitas, geradas desde a socialização, reverberam em cobranças demasiadas que são identificadas, a título de exemplo, no desgaste associado à excelência em exames no meio estudantil. Destarte, o ritmo frenético da rotina afeta, muitas vezes, o estabelecimento de atividades de relaxamento e de ócio imprescindíveis ao zelo pessoal e à qualidade de vida.
Posteriormente, como reflexo desse panorama defasado, sequelas adversas à saúde mental são iminentes. Por essa óptica, o filme estadunidense “As virgens suicidas” narra a história de cinco adolescentes que, suprimidas pela atmosfera hostil de susas vivências e pela omissão assistencial de seus responsáveis, desenvolvem quadros depressivos severos. Posto isso, de maneira análoga, a continuidade errônea do descaso, perpassado pelas gerações, relacionado ao autocuidado, maximiza a fragilização emocional. Logo, desdobramentos significativos de distúrbios psicológicos, como a depressão e a ansiedade, são capazes de comprometer, em larga escala, as relações interpessoais e, ainda, profissionais do enfermo na manutenção dessa realidade.
Diante disso, o encorajamento de práticas de autocuidado na promoção da saúde mental é primordial. Assim, urge que as instituições educacionais, por meio de iniciativas interdisciplinares, promovam debates engajados em relação à implantação de atividades terapêuticas no cotidiano. Nesse projeto, serão realizadas rodas de conversa mediadas por profissionais habilitados, com abordagens da área da Psicologia e da Sociologia, a fim de que, a datar da infância, o cultivamento de uma relação mental saudável seja possibilitada. Ademais, é necessário que o Estado otimize o atendimento psicológico público em unidades sociais, como o CRAS, para que, em conjunto com o melhoramento de hábitos, o cidadão possa usufruir de uma rede de suporte de qualidade na concretização do direito constitucional ao bem-estar psíquico.