Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 17/09/2021
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o bem-estar é configurado como um estado de conforto físico, mental e social, não se restringindo apenas à ausência de enfermidades.No entanto, no Brasil atual, a frágil cultura de autocuidados dificulta a vigência desse conceito universal, uma vez que as escolas, ao agirem de maneira simplista, contribuem para a formação de sujeitos que não aprendem, desde a infância, a olharem para si e que, além disso, são impulsionados, posteriormente, pelo mercado de trabalho a, visando a atingir maior produtividade, negligenciarem as demandas pessoais.
De fato, a fragilização da saúde mental em razão da relativização das próprias singularidades, no País, é impulsionada, sobretudo, pela ausência de medidas pedagógicas no que se refere à prática do autoconhecimento e, por conseguinte, do autocuidado.Partindo desse pressuposto, cita-se Paulo Freire - educador brasileiro - o qual defendera que as instituições de ensino devem não apenas atuar como canal de conhecimentos científicos, mas necessitam criar possibilidades para que o indivíduo - nesse contexto, representado pelo estudante - conheça a si e, a partir disso, adicione a autopercepção e o cuidado pessoal nas atividades cotidianas.Depreende-se, logo, que o corpo docente, ao não incluir, nas práticas escolares, tarefas que promovam a autovalorização - a exemplo de meditação e de exercícios físicos - atua como agente que impulsiona a formação de gerações que, incapazes de enxergar o sujeito de modo holístico, desenvolvem enfermidades orgânicas e psicológicas, como obesidade e depressão.
Além disso, cumpre ressaltar que o enfraquecimento da cultura do autocuidado ocorre, sobretudo, em razão do modo de produção capitalista vigente, o qual prioriza a produtividade em detrimento do bem-estar individual.Em face disso, cita-se o sociólogo Karl Marx, que corroborou, em suas teses, que o trabalhador é, não raro, explorado e ensinado a omitir as próprias demandas para alcançar maior capacidade laboral e, como consequência, máximo acúmulo de capital.Infere-se, então, que o crescente número de pessoas adoecidas - mental e fisicamente - na Nação é resultado direto da intensa exploração dos trabalhadores nas empresas brasileiras.
Evidencia-se, portanto, que o Ministério da Educação deve tornar obrigatória a execução de momentos de autocuidado desde a primeira infância - idade que compreende os anos iniciais - nas instituições de ensino públicas e particulares.Por meio de práticas de meditação e de exercícios físicos de regularidade semanal, os jovens serão, como defendera Freire, ensinados a olharem para si mesmos de maneira holística, reduzindo, desse modo, as taxas de desconforto pessoal representado pelas enfermidades.Ademais, as empresas do País devem ofertar, mensalmente, momentos de acolhimento - como jogos coletivos - a fim de que o ambiente de trabalho torne-se potencializador da saúde mental.