Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 17/09/2021

Conforme o site da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a Organização Mundial de Saúde (OMS) revela que a maioria dos transtornos mentais que afetam, sobretudo, os adolescentes e os jovens não são diagnosticados e nem tratados. Partindo desse fato, a plena garantia da saúde mental da população brasileira não se reverbera com ênfase na prática, haja vista a banalização do autocuidado, o que ocasiona a precarização do tratamento de distúrbios mentais. Nesse viés, a fim de mitigar os males relativos a essa temática, é importante analisar o impacto da internet nas relações humanas e a desinformação sobre as doenças mentais.

Com efeito, observa-se a intensidade que o ciberespaço fomenta o aparecimento dos transtornos de ordem psíquica. Nessa perspectiva, cabe citar o documentário chamado “Dilema das Redes”, em que ex-funcionários de redes sociais apontam, em detalhes, para os perigos causados pelas mídias digitais, sobretudo pelos meios utilizados para envolver o internauta durantes horas a fio. Em concordância com a obra audiovisual, é inegável que as redes sociais submetem os indivíduos à improdutividade, à apatia pelas interações humanas reais e à constante comparação com os demais, o que ocasiona uma sensação de inferioridade por não alcançar o ideal de “vida perfeita”. Fica claro, pois, que esses efeitos alavancam o desenvolvimento de doenças mentais, bem como a ansiedade e a depressão, ferindo o autocuidado mental e físico da população brasileira.

Ademais, segundo o filósofo Aristóteles, a educação é um meio fundamental para a formação da vida pública e, consequentemente, para o bem-estar social. Em contrapartida, a ignorância acerca do assunto atua vigorosamente para a perpetuação do estigma relacionado às doenças mentais no Brasil, visto que são minimizadas em virtude da disseminação de tabus falaciosos, fortalecidos pelo preconceito vigente para com cidadãos acometidos. Evidencia-se, então, que a ausência de orientação e de conhecimento acerca das doenças psicológicas arquitetam esse lastimável panorama.

Portanto, esse grave problema requer intervenção imediata. Para tanto, cabe ao Ministério Público, responsável por garantir a ordem jurídica e a defesa dos interesses sociais e individuais indisponíveis, cobre do Estado ações concretas visando combater o preconceito às doenças mentais. Entre essas ações, deve-se realizar parcerias com as plataformas midiáticas, nas quais propagandas de apelo emocional, mediante depoimentos de pessoas que sofrem esse estigma, deverão desenvolver o senso crítico dos brasileiros acerca da importância do respeito e do autocuidado. Ademais, é preciso haver mudanças escolares, baseadas no fomento à empatia, por meio de debates sobre temas socioemocionais.