Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 17/09/2021
Ao se pensar em falar sobre saúde mental e a importância da cultura do autocuidado pode se comentar que a química explica que numa solução, quando o soluto excede a quantidade do solvente, a sua dissolução será prejudicada, configurando um sistema instável. Fora das ciências da natureza, no que concerne a saúde mental e oautocuidado, percebe-se a diluição do equilíbrio emocional, ocasionada pela disparada evolução tecnológica e o espírito de competitividade vigente. Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover estratégias para mitigar esse problema, na tentativa de reestabelecer a homeostase psicológica do homem.
Em primeira análise, a vertiginosa evolução tecnológica tem suscitado a fragilidade das relações interpessoais. A modernidade, com toda sua robustez e complexidade, permitiu a conexão de milhões de pessoas mas, ao mesmo tempo, resultou no afastamento dessas e, toda essa conjutura configura um estado permanente de solidão, o qual promove a desestabilidade mental do indivíduo. Esse panorama reflete o que afirmou o sociólogo polonês Zygmunt Bauman: “Estamos todos numa solidão e numa multidão ao mesmo tempo”, ou seja, a hiperconectividade favoreceu o distanciamento, o declínio do equilíbrio mental e o adoecimento psicológico da população.
Ainda sob a mesma ótica, a intensa competitividade incultada aos indivíduos, condiciona a ausência do autocuidado. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), mais de 322 milhões de pessoas sofrem com a depressão, considerado o mal do século XXI. É passível a relação dessa patologia com a falta do autocuidado pois, num mundo onde se prega a total produtividade e a superação da concorrência, a valorização do “eu” e o “cuidar de si” são secundarizados, enaltecendo as boas aparências e o descomedido sucesso, que devem ser apresentados à sociedade, tendo como consequência o aparecimento de patologias psicológicas. O filósofo Nietzsche afirmou que o homem está preso em convenções sociais, necessariamente preenchidas por padrões, ou seja, nesse contexto, o indivíduo encontra-se por vezes obrigado a desconsiderar características próprias da sua personalidade para sentir-se aceito pela sociedade, desvalorizando o autocuidado e o autoconhecimento.
A ausência da homeostase psicológica revela a necessidade de resolver essa problemática. Destarte, é preciso que o Ministério da Educação, em parceria com escolas pública e privada, fomentem a elaboração do projeto “Psicologia na escola”, em que na disciplina de Sociologia, no formato extracurricular, seja explanada a importância do autocuidado e da saúde mental. Assim, o índice de depressão poderá ser reduzido, mitigando os efeitos desse caos descomedido