Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 17/09/2021

“Coringa” (2019) é uma premiada produção cinematográfica dirigida pelo cineasta estadunidense Todd Phillips que retrata a história do personagem de Arthur Fleck o qual trabalha como palhaço para uma agência de talentos enquanto também realiza tratamento para o seu transtorno psiquiátrico. Fora da ficção, no que concerne a saúde mental e ao autocuidado, percebe-se a diluição do equilíbrio emocional, ocasionada pela disparada evolução tecnológica e o espírito de competitividade vigente. Tal paradigma reflete o cenário desafiador no País, seja pela vulnerabilidade das relações sociais, seja pela desvalorização ao cuidado pessoal.

Primeiramente, a vertiginosa evolução tecnológica tem suscitado a fragilidade das relações interpessoais. Diante disso, a modernidade, com toda sua robustez e complexidade, permitiu a conexão de milhões de pessoas mas, ao mesmo tempo, resultou no afastamento dessas e, toda essa conjutura configura um estado permanente de solidão, o qual promove a desestabilidade mental do indivíduo. Consoante o sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman “Estamos todos numa solidão e numa multidão ao mesmo tempo”, ou seja, a hiperconectividade favoreceu o distanciamento, o declínio do equilíbrio mental e o adoecimento psicológico da população.

Outrossim, a intensa competitividade incultada aos indivíduos, condiciona a ausência do autocuidado. De acordo com a OMS, mais de 322 milhões de pessoas sofrem com a depressão, considerado o mal do século XXI. Nessa conjuntura, a relação dessa patologia com a falta do autocuidado pois, num mundo onde se prega a total produtividade e a superação da concorrência, a valorização do “eu” e o “cuidar de si” são secundarizados, enaltecendo as boas aparências e o descomedido sucesso, que devem ser apresentados à sociedade, tendo como consequência o aparecimento de patologias psicológicas. Conforme o filósofo alemão do século XIX Nietzsche o homem está preso em convenções sociais, necessariamente preenchidas por padrões, ou seja, nesse contexto, o indivíduo encontra-se por vezes obrigado a desconsiderar características próprias da sua personalidade para sentir-se aceito pela sociedade, desvalorizando o autocuidado e o autoconhecimento.

Infere-se, portanto, a nessecidade do cuidado com a saúde mental. Destarte, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com intituiçãoes de ensino de pública e privada, promover a elaboração do projeto “Psicologia na escola”, em que na disciplina de Sociologia, no formato extracurricular, seja explanada a importância do autocuidado e da saúde mental, a fim de minimizar o índice de doenças mentais. Ademais, compete a participação intensiva de instituições e grupos de pesquisa nas mídias sociais por meio de divulgação de conteúdos de qualidade e que promovam o bem-estar social.