Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 29/09/2021
Em âmbito nacional, muitas perspectivas paradoxais têm sido defendidas acerca da relevância da cultura do autocuidado para a saúde mental do brasileiro. Nesse viés, enquanto o senso comum se limita a apontar responsáveis e exigir mudanças, teóricos das ciências sociais atestam a urgência de posturas coesas e socialmente mais engajadas acerca dessa problemática. De fato, é preciso enfatizar que em tempos atuais, ocorre um fenômeno de desvalorização da vaidade entre as camadas mais populares da sociedade.
De início, faz-se necessário avaliar práticas e ideologias em torno da necessidade de derrubar a visão de que a vaidade só pode ser exercida por pessoas com boas condições financeiras. Nessa direção, de acordo com as diretrizes do Conselho Federal de Psicologia, a falta de autocuidado e vaidade entre os brasileiros vai além de questões sociais e financeiras, um dos fatores que contribuem para essa ausência é a modernidade, onde a necessidade de velocidade e eficiência na rotina diária das pessoas é vista como mais valiosas do que se preocupar com cuidados como saúde, bem-estar e amor-próprio acabam sendo colocados em segundo plano pela sociedade. Por certo, deve-se admitir a superficialidade e a pouca eficiência de iniciativas , como peças publicitárias e informativas que, apesar de relevantes, não conseguem incitar posturas proativas a favor da normalização da cultura da prevenção e de atenção as próprias necessidades.
Além disso, diante da relevância de se implementar a cultura do autocuidado como forma de previnir e tratar possíveis problemas psicológicos, mais do que conceber teorias, é preciso efetivar medidas concisas, enfáticas e pontuais. Nesse prisma, em consonância com a atuação da sociedade civil organizada, faz-se necessário instituir estratégias capazes de atrelar todos os segmentos da sociedade à uma rede de atuação contra a desvalorização do indivíduo como ser único e do seu amor-próprio. Sem dúvida, pode-se asseverar que do ponto de vista da psicologia, sem cuidar das suas individualidades e cuidados, não haverá diferenças entre maquinas e pessoas.
Em suma, considerando a abrangência dessa discussão, torna-se imperativa a interação de multiplos agentes. Portanto, atráves de mobilização consciente, com pautas reivindicatórias, a sociedade civil organizada deve definir prioridades e exigir maior sensatez no que tange à necessidade de se estabelecer a cultura do autocuidado como um dos preceitos fundamentais para socialização do indivíduo na sociedade, como forma de integrar os processos de transformação de realidade e contribuir para uma sociedade saudável e que vislumbre um futuro.